quarta-feira, março 29, 2006

AGOSTINHO DA SILVA




AGOSTINHO DA SILVA NASCEU HÁ 100 ANOS

Às 20 horas do dia 13 de Fevereiro de 1906 - há um século !!!
- nascia na cidade do Porto GEORGE AGOSTINHO BAPTISTA DA SILVA, mais precisamente na Rua do Barão de Nova Cintra.

Aquariano com ascendente em Virgem e com o Nodo Norte na Casa XI, AGOSTINHO DA SILVA foi uma figura com um apurado sentido crítico, quenão tem paralelo no nosso universo cultural. A vida propôs-lhe uma série de projectos relacionados com trabalhos de grupo, estudos, renovação da vida social e da partilha com os amigos. Foi um canal por excelência de esperanças e de sonhos, através do qual o sentimento de muitos grupos se manifestou. Todos os povos de língua portuguesa dedicam-lhe, hoje, igualmente uma notória atenção quer pela vastidão do seu saber, quer ainda pela qualidade e pluralidade da sua obra.

AGOSTINHO DA SILVA, amigo e companheiro de António Sérgio, foi um"pensador-viajante" que, tal como o próprio afirmou "a única coisa queeu penso é que não estou ancorado em Portugal". No livro "Portugal Amordaçado", MÁRIO SOARES, aluno no Liceu de AGOSTINHO DA SILVA, confessou, por exemplo, "ter ficado marcado pelo seu exemplo".

A GALERIA MATOS FERREIRA, com a colaboração da ASSOCIAÇÃO AGOSTINHO DASILVA e do CORO LOPES-GRAÇA da ACADEMIA DE AMADORES DE MÚSICA associa-se aos inúmeros eventos que, ao longo deste ano e um pouco por todo o lado, irão assinalar a efeméride. A iniciativa terá lugar em Abril e arranca logo no dia 1 - data em que a GALERIA MATOS FERREIRA perfaz exactamente o primeiro ano de Actividades Culturais - com a actuação do CORO LOPES-GRAÇA da ACADEMIA DE AMADORESDE MÚSICA e, ainda, com a palestra "AGOSTINHO DA SILVA : O POETA"proferida RISOLETA PINTO PEDRO.Seguem-se ainda as seguintes palestras e debates:
* 8 de Abril de 2006 - Sábado, às 21h30: PALESTRA Tema: AGOSTINHO DA SILVA : O FILÓSOFO Proferida por PAULO BORGES.

* 20 de Abril de 2006 - Quinta-feira, às 21h30: PALESTRA Tema: AGOSTINHO DA SILVA : O POETA E O POEMA Proferida por JOSÉ FLÓRIDO.

* 22 de Abril de 2006 - Sábado, às 21h30: PALESTRA Tema: AGOSTINHO DA SILVA : O TEÓRICO DA CULTURA PORTUGUESA Proferida por RENATO EPIFÂNIO.

* 28 de Abril de 2006 - Sexta-feira, às 21h30: TERTÚLIA Sessão Interactiva de leitura e debate das ideias de AGOSTINHO DA SILVA Animada por MARIA FERNANDES, JOSÉ MARÇAL e PEDRO GOMES.

* 29 de Abril de 2006 - Sábado, às 21h30: PALESTRA Tema: AGOSTINHO DA SILVA : O PROFESSOR E O CRÍTICO LITERÁRIO Proferida por MIGUEL REAL.

Para informações mais detalhadas sobre estes eventos ou de outras actividades culturais da GALERIA devem contactar para o seguinte Tlm.:96 295 37 22 ou, em alternativa, ver a página Web: www.galeriamatosferreira.com.

terça-feira, março 28, 2006

PRÓXIMA SESSÃO

Na próxima sessão de dia 5 de Abril teremos como convidado o escritor Alexandre Vargas.

Alexandre Vargas é poeta e tradutor. De poesia publicou «Morta a sua Fala»,«Cyborg», «Vento de Pedra», «Lua Cisterna», «Organum» além de ter participado em antologias, cadernos, etc. Traduziu os músicos-poetas Peter Hammil e Patti Smith. Sintra ocupa um lugar especial no seu imaginário.

Ouçamos o que sobre ele diz Luis Adriano Carlos, o antologiador de "PoesiaDigital - 7 Poetas dos Anos Oitenta":
ALEXANDRE VARGAS, marcado pelo universo pós-simbolista e modernista, e sobretudo pelos fantasmas de Antero, Pascoaes, Sá-Carneiro, Álvaro de Campos e José Gomes Ferreira, é essencialmente um poeta visionário que exprime aconflitualidade interna de uma mitologia pessoal dividida entre um passado naturalista e um futuro cibernético. [...] Poeta que traduz o visionarismoda sua epopeia lírica numa discursividade a um tempo meditativa e narrativa, tecnicamente neobarroca, sustentando a retórica da imagem e os seus efeitos oniristas em mecanismos surrealizantes, mas por vezes cedendo perante a construção alegórica, exibe nas suas criações mais recentes uma forte atracção pela temática luciferina e por um experimentalismo formal vazado em enumerações caóticas, neologismos telescópicos, sinestesias e misturas polifónicas que provocam em certos ângulos uma impressão estética muito próxima de um Ângelo de Lima na sua faceta pré-joyciana.

Alexandre Vargas lê poemas inéditos seus na Tertúlia dos Meninos da Avó.

segunda-feira, março 20, 2006

SESSÃO DE DIA 15/03/06

Dia 15 de Março realizou-se a 29ª sessão dos Meninos da Avó. Como já tinha sido anunciado contamos com a presença do escritor António Augusto Sales, que veio falar da sua obra. A sua participação incidiu sobretudo no poeta António Botto (de quem é autor de uma biografia), de uma forma apelativa foi-nos dando a conhecer a vida e obra deste importante autor, contemporâneo e amigo de Fernando Pessoa. A obra poética de António Botto será mais tarde alvo da nossa atenção.



sexta-feira, março 10, 2006

PRÓXIMA SESSÃO:

Na próxima sessão, dia 15 de Março teremos como convidado na nossa sessão o escritor António Augusto Sales. Este escritor notabilizou-se como o biográfo e estudioso da vida e obra de António Botto, atráves da publicação do livro "António Botto: real e imaginário". Para além da desta faceta tem publicados os seguintes livros: "Uma Longa Estranha Pausa" e "Corpo Inigmático". Um autor residente no concelho de Sintra desde longa data e que nos irá brindar com suas histórias e vivências.
Esta sessão vai decorrer no restaurante Regalo da Gula (quinta da Regaleira) Rua do Barbosa do Bocage, 5 estrada de Seteais.

A poesia está na rua. Não pisar.

segunda-feira, março 06, 2006

CAMILO PESSANHA

Camilo Pessanha nasceu em Coimbra em Setembro de 1867 e morreu em Macau, em Março de 1926, figura singular da poesia portuguesa do início do século XX, o nosso maior poeta simbolista, mereceu a Eugénio de Andrade a justeza destas palavras: “Sempre tive Camilo Pessanha como exemplo da mais alta ascese poética, digamos, um homem da raça de Baudelaire, ou de Cavafy. Pessoa, Pessanha, Cesário, Camões – e agrada-me citá-los assim a contrapelo – foram sempre para mim os nomes supremos da poesia de língua portuguesa”. E ainda aquela vida sua vivida (ou antes desvivida) exemplarmente à margem da impenitente e sentenciosa e sobranceira verborreia nacional, com o poeta apenas empenhado numa crítica da eternidade que era o seu caminhar para o silêncio, mais interessado pelos seus cães que pelos seus contemporâneos.
A tal exemplaridade fiquei fiel para sempre.”


INSCRIÇÃO

Eu vi a luz em um país perdido.
A minha alma é lânguida e inerme.
Oh! Quem pudesse deslizar sem ruído!
No chão sumir-se, como faz um verme…


OLVIDO

Desce por fim sobre o meu coração
O olvido. Irrevocável. Absoluto.
Envolve-o grave como véu de luto.
Podes, corpo, ir dormir no teu caixão.

A fronte já sem rugas distendidas
As feições, imortal serenidade,
Dorme enfim sem desejo e sem saudade
Das coisas não logradas ou perdidas.

O barro que em quimeras modelaste
Quebrou-se-te nas mãos. Viça uma flor…
Pões-lhe o dedo, ei-la murcha sobre a haste…

Ias anda, sempre fugia o chão,
Até que desvairavas, do terror.
Corria-te um suor, de inquietação…


INTERROGAÇÃO

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! Nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno…
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez um começo…
Eu não sei que mudança a minha alma pressente…
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Camilo Pessanha, in "Clepsidra"

domingo, março 05, 2006

SESSÃO DE DIA 1/03/06


Dia 1 de Março realizou-se a 28ª sessão dos Meninos d´Avó. Esta sessão ocorreu no restaurante "Regalo da Gula", foi uma agradável primeira sessão neste novo espaço, o tema era livre apesar de se ter evocado duas efémerides dignas de posterior homenagem: os 80 anos da morte de Camilo Pessanha e os 10 anos do desaparecimento de Vergílio Ferreira! Não se proporcionou nenhuma leitura destes poetas na sessão, leram-se poemas de Mário de Sá Carneiro, Herberto Heldér entre outros.


Hilário presenteou-nos com uma performance musical.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

PRÓXIMA SESSÃO:

Depois de um período de dúvidas podemos assegurar já a realização da próxima sessão dos Meninos d´Avó no restaurante o "Regalo da Gula", Quinta da Regaleira Rua Barbosa do Bocage, 5 estrada de Seteais, Sintra (e-mail: regalo_da_gula@sapo.pt). A sessão realiza-se dia 1 de Março e será livre, não temos nenhum convidado especial. Como será a primeira sessão neste novo espaço pretendemos deixar o ambiente e as participações fluirem naturalmente.
Contamos com a presença de todos os Meninos d´Avó! Qualquer dúvida que tenham contactem-nos por mail que iremos fazer os possíveis para as resolver.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

OLÍMPIO NEVES GONÇALVES

Olímpio Neves Gonçalves, natural do Porto, é licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da mesma cidade. Para além de alguma publicação dispersa por várias revistas e suplementos literários, com o pseudónimo de Carlos Gabriel, colaborou na plaquete de poemas para Florbela Espanca e na “Antologia a Teixeira de Pascoais”. Em 1962 publicou o livro de poesia “Alguém Mora na Outra Margem” e, em 1962 colaborou na Antologia “Poesia e Tempo”, com outros autores, tais como António Ramos Rosa, Fiama Pais Brandão, Maria Teresa Horta, entre outros.

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Onde mesmo as telúricas tardes são hálito e
sussuro na terra ardente este acsao em cavalgada
inútil passáros toma por muro intransponível

Canta um pássaro o riso e não se derrama oh
tão espalmado ele voa no lastro das dores que estas
modulam seus muitos idiomas e gorjeios seus soluços
baloiçantes nos flocos do sonho

Dores e riso sim na ternura febril das
ancas da insónia e lágrimas cristais verdes de
lágrimas na vertente radiosa dos rostos cúmplices

Que sôfrega demência ante as diáfanas e rarefeitas
Traições desta hora insubmissa

Resíduo flor supérflua na proa da nave que
paira resvala o efémero gume no vislumbre da lâmina
o eco da elegia o escoa na anemia vítrea das iras



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E então direis
que a alegria desce do maná
na abundância do deserto
e que a vara
fende na rocha adusta o fio cristalino
da água da ablução de cada dia

Nunca mais
as prostrações ante o bezerro dourado
enfeitado nas tranças falazes da serpente
Nos altares
agora alisados nos musgos e líquenes húmidos
dos cultos mortos o fedor das lajes
há muito abandonados na clareira árida

O riso
irrompe por entre os dentes da claridade
da axila orvalhada da manhã
e orvalho embebe sua oleosa pupila
no beijo da frescura das têmporas

Inocência
das coisas puras Inocência nua na epiderme
exposta à libação do vinho e do pão
repartido pelo sacerdócio das carícias e afectos
As bailadeiras ungidas pela osmose do incenso
Sorvem nas volutas os haustos
Da ébria e sinuosa amplitude dos gestos

A ambrósia
excita as papilas da língua Os sápidos sabores
transmutam-se nas licorosas bodas
espasmos nas virgens seduzidas e prontas

São nossas
as janelas de todos os assomos de todos os abraços
ancorados nas angras de todos os seios
são nossas as velas enfunadas de todos
os veleiros do êxtase

Um novo deus
alcança a beatitude nas alturas envadas
os calmos himalaias inundam na paz do silêncio
os inquietos pensamentos os gafanhotos saltadores
na selva das emoções apaziguadas

Se um deus
ronda nas imediações das províncias da alma
nessa fronteira elástica da vertigem das pátrias
quem o reprovará com palavras indiscretas

Olímpio Neves Gonçalves; in “Os Arquétipos”; Tertúlia, 1996.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

SESSÃO DE DIA 15/02/2006


Helena Langrouva ladeada por Jorge Menezes e Rui Lopo

No dia 15 de Fevereiro realizou-se a 27ª sessão dos Meninos d´Avó. Como foi anunciado tivemos a participação da Helena Langrouva, esta estudiosa de cultura Clássica apresentou o seu livro de ensaios "De Homero a Sophia". Depois de uma apresentação biográfica, a autora (sintrense de nascimento), falou dos seus estudos académicos e gostos adquiridos ao longo de uma vida dedicada à literatura. Declamou Sophia de Mello Breyner Anderson e Camões, foi uma participação muito interessante, ainda ficaram por revelar facetas da nossa convidada o que augura novos encontros para o futuro.

Falando de futuro, nesta sessão também se decidiu em assembleia o caminho que os Meninos d´Avó devem tomar, agora que perdemos com extrema tristeza o nosso poiso de sempre: a Casa da Avó. Decidiu-se que o espírito deve ser mantido e que se deve procurar novo poiso!
De entre as várias hipoteses que surgiram e foram debatidas chegou-se ao Resturante da Quinta da Regaleira. Este espaço ainda não é definitivo mas ficou como a hipotese mais desejável para a realização das nossas tertúlias. Até à próxima sessão (dia 1 de Março) esperamos ter garantido um espaço (provisório ou definitivo) para o nosso encontro!
Mais informações serão aqui colocadas e transmitidas por mail.
O momento poético final foi feito pelo aniversariante Pedro Hilário que nos presenteou com poemas de um poeta seu conhecido: Luís Baltazar. Fica o desejo de dar a conhecer mais deste poeta numa oportunidade próxima. Por agora fica apenas um pequeno Haik:

ACIMA DAS NUVENS
NUNCA CHOVE

Exige-se uma nota final de agradecimento a todos na Casa da Avó pela sua disponibilidade, simpatia e amizade ao longo deste tempo. Desejamos votos de boa sorte para o futuro e prometemos que não se irá perder o contacto e o espírito criado naquele já saudoso espaço!

O aniversariante Hilário brindou-nos com poesia açoriana!

terça-feira, fevereiro 14, 2006

ESTREIA:

Como o próprio título indica, o enredo de Policial gira em torno de um crime: o homicídio, envolto em mistério, de Anselmo Valenças. O principal suspeito, na opinião do Inspector Raúl, da Polícia de Segurança do Estado, é o irmão do morto, o excêntrico D. Galiano - que insiste em dar uma festa no dia seguinte ao crime. Caberá ao novato detective Armando das Mil Estrelas - e ao seu inconsequente ajudante Hipólito - descobrir o verdadeiro assassino antes do final da festa. Mas as investigações vão revelar-se mais complicadas do que o detective privado esperaria e as surpresas e revelações vão ser muitas...

Casa de Teatro de Sintra: Rua Veiga da Cunha, nº 20, Sintra
• De 16 de Fevereiro a 5 de Março (Quintas, sextas, sábados e domingos às 22h00)

Mais informações em: www.utopiateatro.com

domingo, fevereiro 12, 2006

EVENTO:

O Núcleo de Música da Alagamares-Associação Cultural propõe-lhe, no próximo dia 18 de Fevereiro, Sábado, na Sociedade Filarmónica 'Os Aliados', um Baile de Máscaras fora do modelo habitual, característico dos tradicionais Bailes de Carnaval, prolíferos nesta altura do ano.

Para tal, sugerimos-lhe um espectáculo musical ao som dos Almighty Love e da sua abordagem à World Music, com a participação de elementos dos Kump'ania Al-Gazarra e after-show party com o Dj ManMachine (pop 80s, rock, funk, banda-sonora-de-séries-de-tv-antigas).

Dia 18 de Fevereiro de 2006, Sábado, na Sociedade Filarmónica 'Os Aliados', em S. Pedro de Sintra, pelas 21h30 e até às 2h. Compareça e venha divertir-se com os seus amigos!

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

HELENA C. LANGROUVA

Na próxima sessão dia 15 de Fevereiro iremos ter como convidada a escritora sintrense Helena Langrouva. Em seguida fica uma biografia dos escritos da autora:

Helena Langrouva estudou nas universidades de Lisboa, Paris, Tours, Montpellier e Londres. É licenciada em Filologia Clássica (Lisboa), Maître ès Lettres Modernes - Cinéma (Montpellier III), pós-graduada - D.E.A. (Paris III), M.A. e M. Phil. (Londres) e doutorada em Estudos Portugueses (Lisboa, UNL). Leccionou Literatura Portuguesa Clássica, Teoria da Literatura, Introdução aos Estudos Literários, no ensino superior, com passagem pelo ensino secundário onde leccionou Grego, Latim e Português; foi Leitora de Língua e Cultura Portuguesas nas universidades de Montpellier e Rouen.

Publicações assinadas: Helena Langrouva
“Camões, São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila”, em Homenagem a Maria de Lourdes Belchior, Paris e Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 1998. Uma versão diferente e ampliada foi publicada com o título: “Viagem interior e via mística: Santa Teresa de Ávila , São João da Cruz e Camões” no volume abaixo indicado De Homero a Sophia. Viagens e Poéticas, 2004.
“As Cartas de Camões: da viagem ao pensamento”, em Humanismo para o nosso tempo- Homenagem a Luís de Sousa Rebelo, Lisboa, edição de que é co-organizadora, com A. A. Nascimento, J. V. De Pina Martins e T.F. Earle, patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian (distribuída e comercializada pela A.PPACDM - Braga), 2004. Outra versão deste ensaio foi publicada, com o mesmo título, no volume abaixo mencionado De Homero a Sophia. Viagens e Poéticas, 2004.
De Homero a Sophia. Viagens e Poéticas, ensaios, Coimbra, Angelus Novus, edição patrocinada pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, 2004.
Actualidade de Os Lusíadas, ensaios, Lisboa, Revista Brotéria, Abril, Maio-Junho e Julho, 2004.

No prelo:
A viagem na poesia de Camões (tese de doutoramento), Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian em protocolo com a Fundação para a Ciência e Tecnologia;
Actualidade de Os Lusíadas, Lisboa, Roma Editora, edição subsidiada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, apoiada pelo Instituto São Tomás de Aquino (ISTA).

DIVULGAÇÃO:

22 de Fevereiro, 1, 8, 15, 22 e 29 de Março de 2006
(12 horas – 18h30 às 20h45)

Curso Camoniano I

Dos desafios da escrita e da vida ao humanismo cívico - Revisitando Os Lusíadas e
As Cartas de Camões

por

Helena Langrouva

Este curso permitirá aos inscritos um encontro e/ou reencontro com Os Lusíadas e com duas Cartas de Camões. Dar-se-á prioridade ao estudo das pausas de Os Lusíadas: as invocações e os finais de canto, vendo as suas relações com alguns episódios. Nas invocações, Camões renova a tradição da epopeia clássica e medieval, introduzindo um conjunto de notáveis desafios para a sua própria obra e para todos os vindouros que lutam pela criação de uma obra de arte. O estudo aprofundado dos finais dos cantos (epifonemas) contribui para compreender o que o próprio narrador pensa sobre a epopeia e a sua época, o seu modo de meditar, reflectir, interferir, ter voz, comunicar com os seus contemporâneos as suas preocupações sobre a crise de valores éticos, artísticos, culturais e sociais que perduram no tempo. É a voz do humanista cívico que desafia os seus contemporâneos para a coerência entre o agir e o pensar; que critica, distinguindo o trigo do joio, repondo o sentido original da palavra criticar (gr.krino /lat. cerno): joeirar, ver; que reitera a bipolaridade entre o ser e o dever-ser, e procura ter uma visão distanciada do mundo
Os participantes são ainda convidados à meditação sobre a ligação profunda entre a arte e a vida: o naufrágio de Camões, a consciência do seu próprio valor- sintetizados em Os Lusíadas-, o modo como sentiu a sua época, através das suas Cartas, raramente lidas e conhecidas, a sua denúncia da “pura inveja”de que foi alvo, a sua tentativa de aceitar a vida e de ter uma visão sábia do mundo.
No seu conjunto, este curso convida à meditação, à reflexão e à crítica, para um público alargado, aberto à cultura.
A desenvolver em cursos seguintes.
Este curso destina-se a todos os que se interessam por Luís de Camões e em particular por Os Lusíadas e As Cartas.

Datas: 22 de Fevereiro, 1, 8, 15, 22 e 29 de Março de 2006, das 18h30 às 20h45.
Preço: até 15 de Fevereiro de 2006 – € 90 ("Amigos da Fundação" e Estudantes - € 75). Inscrições Limitadas. Depois de 15 de Fevereiro de 2006, sobretaxa de € 5.

Local: Palácio Fronteira, Largo São Domingos de Benfica, 1, 1500-554 Lisboa.
Informações: Telefone: 21 778 45 99 (Assuntos Culturais) Fax: 21 778 03 57

SESSÃO DE 1/02/06

No dia 1 de Fevereiro realizou-se a 26ª sessão dos Meninos d´Avó. Como já tinha sido anunciado contamos com a presença do escritor João Rodil, a sua participação incidiu na história das referências literárias em Sintra, desde tempos imemoriais (antes de Cristo) até ao sec. XIX!
Esta sessão ficou marcado por uma futura efémeride! A próxima sessão será a última a ser realizada na Casa da Avó! Lamentavelmente e por razões completamente alheias aos Meninos assim como à Paula e ao Luís no fim do presente mês a Casa da Avó encerrara! Tal facto causa-nos um profundo desgosto não só pela perda do espaço assim como pelo simbolismo agregado ao espaço! Na próxima sessão esta problemática será discutida.

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Recitais de poesia, apresentações de livros, simples encontros de amigos com amor pela literatura e por Sintra: eis a proposta d'Os Meninos da Avó. Sempre às primeiras e nas terceiras quartas-feiras de cada mês, na Casa da Avó, Rua Visconde de Monserrate, Sintra, entre as 22h00 e a 01h00.

PRÓXIMA SESSÃO:

Na próxima sessão, dia 1 de Fevereiro, teremos como convidado o escritor João Rodil. Este ilustre sintrense irá falar-nos de literatura em Sintra, inspirada ou escrita nesta nossa Serra maravilhosa. Em destaque ficam excertos do seu livro SERRA, LUAS e LITERATURA.


Com rara felicidade, o título deste delicioso ensaio cinge o seu conteúdo como fechadura de manuscrito antigo e precioso. Ele não nos ilude – o que qualquer amante de Sintra e da Literatura pode encontrar nestas páginas, erguido sobre o fundo de um trabalho árduo, valoroso e honesto de pesquisa documental, é um monumento à Serra e à Literatura que ela inspirou, um palácio de sonho e poesia esculpido pelo Assombro, a Lenda e a História, parafraseando o poeta Mário Beirão, citado pelo autor.
Mas João Rodil não se quis limitar a apresentar ao leitor, de uma forma árida e monótona, qual enfastiado guia de museu, a genealogia ilustre de autores que desde recuados tempos pela Serra da Lua se deixaram inspirar. Nem o poderia, quer como filho genuíno da terra que ele é, quer como homem de Letras profundamente arrebatado pela grandeza de tudo o que a esta Serra sagrada concerne. O que ele criou neste livro, foi uma autêntica prosopopeia da Serra de Sintra, que vira personagem animador e animado pelos mais marcantes momentos da história e da cultura portuguesa, europeia e universal.
O mais extraordinário é aqui, porém, o olhar com que João Rodil vê desfilarem os grandiosos vultos que com suas palavras sábias e belas foram esculpindo essa outra montanha, a do mito e do imaginário dos homens. Porque nesse olhar há a firmeza do homem da terra que observa as estações e as épocas seguirem-se, como quem sabe que existe um grande mistério nas coisas da vida, uma abundância de sinais no livro exposto do cosmos que a humana inteligência vai folheando com panteísta admiração.

Jorge Telles de Menezes.


ANTES DE NÓS, OS OUTROS

Já se fez luz e as trevas se separaram. E até às trevas se deu luz. Rola de dia o Sol por cima da Serra antiga, a admirar-lhe o corpo de serpente. À noite, quando os píncaros se transformam em gigantes de pedra, deambula a Lua perdida em sua casa. Estão enamorados o Sol e a Lua, mas apenas se beijam à esquina da madrugada. E o espaço mágico onde trocam o beijo furtivo, é esta Serra de Sintra: maternidade do tempo, altar primitivo onde os deuses vão rezar, pedaço do coração do velho Pangea.

Depois, não há depois. Só a imitação dos homens, a tentativa desesperada de igualarem o amor dos astros, a vontade impotente de cantarem aquilo que não entendem. E muitos foram os homens a empreenderem essa demanda ao longo dos séculos. Uns, perderam-se ignorados como peões em campo de batalha; outros, aqueles que souberam sentir o pulsar do Universo, que acreditaram na transcendência do Promontório, que beberam de sua água inspiradora, conseguiram transportar para a palavra o que esta terra sem mal lhes segredou.

Em Sintra, lugar imenso e mítico, grande número de poetas e escritores sonharam pelo alto da sua Serra serpentária. Deixaram, então, ao longo de todo o calendário dos homens, uma literatura abundante e viva, inesgotável, ainda hoje por completar. Talvez sempre por completar.

Dá-nos o Sol dias longos ou curtos, conforme toca os dois pontos da eclíptica que ficam nos extremos opostos do equador celeste. E nessas variações de luz, esse grande jogo claro-escuro universal, surgem dias poliédricos, embrionários, comutadores da vida. E é de luz e criação que vamos falar, ao sabor das estações, como se elas produzissem nos homens as mudanças de espírito, de mentalidade. Solstício é plural, assim como plural é a Lua projectada nas águas do mar ocidental. O Mar! Mundo ignoto, magnético e assustador, que puxou os homens à diáspora atlântica. Nadaram em busca da terra iniciática, doadora da vida verdadeira, e escarparam o Promontório para cheirar a Lua. E nesta região entre dois-mundos, admiraram as borboletas de fogo que pairavam na suspensão do pó.

Eram os primeiros artistas a vaguearem por Sintra, espelhando os seus tormentos e sentimentos em materiais líticos ou osteológicos, embrionando a Arte nos suportes naturais. Contudo, desde esses recuados tempos, há-de o homem conferir a Sintra o estatuto de templo sagrado.

João Rodil, in “SERRA, LUAS e LITERATURA”, Edições da Palavra e Câmara Municipal de Sintra, 2ª edição, 2004

terça-feira, janeiro 24, 2006

HOMENAGEM:

Assinala-se neste mês de Janeiro duas efemérides, a morte dos poetas José Carlos Ary dos Santos (7/12/193718/01/84) e de Miguel Torga (12/08/190717/01/1995).
Como achamos que a melhor homenagem que se pode fazer a um poeta é a divulgação da sua poesia em seguida ficam exemplos das suas obras e o convite para descobrirem mais destes poetas.


AS SETE VIRTUDES FILOSOFAIS
OU
A ALQUIMIA DOS POETAS


1.

O orgulho

Por vezes no poema
desperdiçamos tudo
e fica apenas

uma terrível faca de silêncio

um muro

uma sebe de sede que defende
a fome de ódio puro.


2.

A Avareza

A palavra vã guardada
A esmola aliterante.
Eis a miséria doirada
da poesia altissonante.


3.

A Luxúria

Nós amamos a carne das palavras
sua humana e pastosa consistência
seu prepúcio sonoro sua erecta presença.
Com elas violentamos
o cerne do silêncio.


4.

A Ira

Uma rosa de cólera
o poema

Uma antena de raiva.

Uma espoleta
na serena gaveta do poeta.


5.

A Gula

Comemos vegetais e animais
Bebemos vinho.
Respiramos fundo.
Somos normais. Apenas


devoramos o mundo.


6.

A Inveja

Não sermos nós a voz
o tacto
o texto.
Darmos cinco sentidos
Para termos o sexto.


7.

A Preguiça

Este

lento

talento

de vazarmos tristeza.

José Carlos Ary dos Santos.



Portugal

Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que de tou.
Mostro aos olhos que não te disfugura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.

E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço.

Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.

Miguel Torga

POEMAS E PENSAMENTOS SOLTOS:

"Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo."

Cecília Meireles


SORTILÉGIO

Se é verdade, quando a noite cai,
E em paz repousam os viventes
E dos céus escorre exangue o raio
Da lua nas lápides dormentes,
Oh, se é verdade que ficam já
Os túmulos vazios, queria
Chamar-te a sombra, esperar Leíla:
Vem, minha amiga, vem cá, vem cá!

Vem, ó sombra bem-amada, tal
Como estavas antes da partida,
Branca e fria como dia invernal
Na última aflição contorcida.
Vem, ó sombra amada, tanto dá
Que sejas um leve toque, um sopro,
Ou visão tétrica de assombro,
Seja qual flores: vem cá, vem cá!...

Não te chamo pra acusar, oh não,
Quem por mal me matou a amiga,
Matou amiga do coração,
Nem para à tumba roubar o enigma,
Ou porque a dúvida me doerá
Não… é por saudade que te chamo,
Pra contar-te como inda te amo
E te pertenço: vem cá, vem cá

Aleksandr Púchkin (1830)

POEMA DE NATAL
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos-
Por isso temos braços longos para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrêla a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos-
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito que dizer:
Uma canção sôbre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai-
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte-
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte apenas
Nascemos, imensamente.
Vinicius de Moraes
"Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas os livros só mudam as pessoas."
Mário Quintana
Se eu tivesse as sedas bordadas do céu.
Com bainhas de luz de ouro e de prata.
As sedas azuis e sombrias e escuras.
Da noite e da luz e da meia-luz.
Deitava-as todas aos teus pés.
Mas eu sou pobre e só tenho os meus sonhos.
Deitei-os todos aos teus pés
Pisa com cuidado,
É nos meus sonhos que estás a pisar.
W. B. Yeats (tradução de Miguel Esteves Cardoso)
Da ilusão nasce a dor
Mãos que se estendem ao vazio
Em eternos instantes de solidão.
Dedos que não alcançam o destino,
Sons que não fazem uma canção.
Fugazes doces carícias,
Pequenos toques de simples ternura,
Momentos de sorrisos cúmplices,
Paixões que morrem em amargura.
Cerrado vai-se tornando o véu
Com o avanço da caminhada
Na inerente contradição.
Esbate-se o amor em tons de masoquismo,
Mas a dor nasce da ilusão.
Bruno Vitória
Nenhum outro ser humano, nenhuma mulher, nenhum poema ou música, livro ou pintura podem substituir o alcóol no seu poder em oferecer a ilusão da verdadeira criação.
Marguerite Duras
"Fora de um cão, o livro é o melhor amigo do homem. Dentro do cão, é escuro demais para ler."
"Em quem é que vais acreditar? Em mim ou nos teus olhos?"
"Um gato preto que se atravessa no teu caminho quer dizer que o gato vai a algum lado."
"Ou ele está morto ou o meu relógio parou."
"Nunca pertenceria a um grupo que me aceitasse como membro."
"Acho a televisão muito educativa. Assim que alguém a acende, eu vou para outro quarto ler."
"Lembro-me da primeira vez que tive sexo. Guardei o recibo."
"O casamento é uma instituição maravilhosa, mas quem é que quer viver numa instituição?"
"Se já ouviste esta história antes, não me interrompas porque eu quero ouvi-la outra vez."
"A próxima vez que nos virmos lembra-me para não falar contigo."
"A justiça militar é para a justiça o que a música militar é para a música."
"Um dia matei um elefante com o meu pijama, só gostava de saber como é que ele se meteu no meu pijama."
"Estes são os meus princípios, se não gostares deles...bem, eu tenho outros."
Groucho Marx
Burgueses somos nós todos ó literatos
Burgueses somos nós todos ratos e gatos
Mário Cesariny
«Mário nós não somos todos burgueses
os gatos e os ratos se quiseres,
os literatos esses são franceses
e todos soletramos malmequeres.
Da vida o verbo intransitivo não é burguês é ruim;
e eu que nas nuvens vivo nuvens!
O que direi de mim?
Burguês é esse menino extraordinário
que nasce todos os anos em Belém
e a poesia se não diz isto Mário
é burguesa também.
Burguês é o carro funerário.
Os mortos são naturalmente comunistas.
Nós não somos burgueses
Mário o que nós somos todos é sebastianistas.»
Natália Correia
Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estúpidas.
António Lobo Antunes

domingo, janeiro 22, 2006

DIVULGAÇÃO


Eespectáculo de poesia onde poemas de gente grande são reinventados por gente pequena.
Decorre no Teatro do Campo Alegre no Porto nos dias 28 e 29 de Janeiro

sábado, janeiro 21, 2006

CONFERÊNCIA:

Ciclo de Conferências:

dia 25 de Janeiro de 2006

"Fernando Pessoa - Poeta da Mensagem"

Dr. Francisco Queiroz

Programa: 16h - visita gratuita à Casa-Museu de Leal da Câmara

18h - Conferência

Casa-Museu de Leal da Câmara, Calçada da Rinchôa nº67, Rinchôa