quarta-feira, janeiro 24, 2007

HOMENAGEM A MÁRIO-HENRIQUE LEIRIA

Sábado, 27 de Janeiro, 22h, no Bar 2 ao Quadrado, por trás da Estação da CP de Sintra, a Alagamares-Associação Cultural promove uma sessão dedicada a um dos mais marcantes surrealistas portugueses: Mário Henrique Leiria.

Jorge Telles Menezes e Fernando Grade falarão do homem,da obra,do bom e do mau vinho,e talvez do Vodka, o seu cão com quem vivia na casa de Ush em Carcavelos City. Contaremos também com Gonçalo Veiga e Pedro Lopes do grupo Poesia para Ninguém, e Rui Mário, pai biológico e adoptivo do Teatro Tapafuros, chama viva na cultura sintrense.


segunda-feira, janeiro 22, 2007

PRÓXIMA SESSÃO:


No dia 7 de Fevereiro os Meninos da Avó farão uma homenagem à autora e artista plástica Maria Almira Medina, figura incontornável e de grande relevância na vida cultural de Sintra nas últimas decádas!
O encontro de dia 7 de será restaurante o Culto da Tasca na rua Veiga da Cunha nº6 (junto à casa de teatro de Sintra).
A sessão terá início pelas 22 horas (encontro para jantar às 20 horas).
Este encontro terá como objectivo divulgar as crónicas inéditas da autora.

A POESIA ESTÀ NA RUA! NÃO A PISE!

domingo, janeiro 21, 2007

OFICINA DE PRÁTICA TEATRAL:


Oficina de Prática Teatral.


Objectivo Geral:
Montagem da peça de teatro "A Carroça dos Saltimbancos" de Fernando Lobo.
Apresentação de cinco espectáculos.
No final do curso os formandos deverão ter adquirido competências que lhes permitam praticar, desenvolver e avaliar actividades teatrais em particular e culturais e artísticas em geral.

População Alvo:
Pessoas a partir dos 16 anos, com ou sem prática teatral.

Metodologia:
O curso terá um carácter eminentemente Prático.

Estrutura Curricular:
O Curso será dividido em dois blocos principais;

Bloco A

A primeira fase ou bloco A , será de criação de dinâmica e confiança de grupo, introdução aos conceitos fundamentais acima referidos e desenvolvimento das respectivas matérias;

1.Concentração e relaxamento muscular.
2.Expressão Corporal – o gesto e o movimento como linguagem.
3.Expressão oral – respiração, voz e articulação.
4.Improvisação – imaginação, criatividade e memória.
5.Introdução ao conceito de personagem.

Aula padrão do bloco A

1.Aquecimento muscular.
2.Exercícios de confiança e dinâmica de grupo.
3.Exercícios de relaxamento e concentração.
4.Exercícios de respiração e voz. Colocação e articulação.
5.Exercícios de movimento.
6.Exercícios de memória afectiva, emotiva e sensorial.
7.Jogos dramáticos.
8.Improvisação.
9.Resumo e reflexão sobre a aula.

(A ordem dos exercícios poderá ser alterada no interesse da dinâmica da aula.)

Bloco B

Este bloco destina-se á montagem formal do espectáculo "A Carroça dos Saltimbancos";


Aula padrão do bloco B

Aquecimento geral – muscular , respiratório e vocal .

Relaxamento e concentração.
Ensaios do espectáculo final:
a)Dramaturgia.
b)Montagem.

Calendarização:
De Fevereiro a Junho de 2007,
Terças e Quintas das 21:00H às 23.30H
Sábados das 14H30 às 18:30H

Local: Salão Nobre e Biblioteca dos Bombeiros Voluntários de Queluz.

Encenador/Monitor:
João Nuno Esteves;
Director Artístico da Casa dos Afectos Associação de Intervenção Cultural.

CENTRO DE ESTUDOS AGOSTINHO DA SILVA:

CURSOS:

I
Do Pensamento Português Contemporâneo

AUTORES: Amorim Viana, Antero de Quental, Cunha Seixas, Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra.
TEMAS: Deus, Anti-Positivismo, a Razão, Saudosismo, o Homem.
FUNDAMENTOS E FIRMAMENTOS: o Conceito, a Situação, a História, a Tradição, o Horizonte.

Renato Epifânio
15 sessões, a partir de 26 de Fevereiro (até 4 de Junho), sempre às segundas-feiras (18h00-19h30)

II
A Recepção da Obra de Agostinho Da Silva – anos 80 a 2006

A - SÍNTESE DA OBRA DE AGOSTINHO DA SILVA
1.1. – 1928 – 1944
1.2. – 1944 – 1994

B – A RECEPÇÃO DA OBRA DE AGOSTINHO DA SILVA
2.1. – 1980 – 1994: Fase de Espanto
2.1.1. – Introdução
2.1.2. – Publicações na Ulmeiro
2.1.3. – “Conversas Vadias”
2.1.4. – “Dispersos”
2.1.5. – A “Phala” e publicações na Assírio & Alvim
2.1.6. – Comentários jornalísticos na data da morte
2.2. – 1994 – 2004: Fase de Luto – Entre o Testemunho e a Análise
2.2.1. – Introdução
2.2.2. – Últimas entrevistas
2.2.3. – Biografia de Artur Manso
2.3. – 2004 – 2006: Fase Analítica
2.3.1. – Introdução
2.3.2. – Visão Católica (Maria Teresa Castro)
2.3.3. – Visão Pedagógica (Maria Helena Briosa e Mota e Margarida Larcher Santos Carvalho)
2.3.4. – Visão Racionalista (João M. de Freitas Branco)
2.3.5. – Visão Culturalista (Renato Epifânio)
2.3.6. – Visão Sapiencial (José Florido)
2.3.7. – Visão Esotérica (Ellys)
2.3.8. – Visão Espiritualista (Paulo Borges)
2.3.9. – Visão Multidimensional (Romana Valente Pinho).

Miguel Real
9 sessões, a partir de 27 de Fevereiro (até 24 de Abril), sempre às terças-feiras (18h00-19h30)


III

Introdução à Literatura Portuguesa: o Século XIX

Introdução
Almeida Garrett, "O Arco de Santana"
Eça de Queirós, "Prosas Bárbaras"
Fialho de Almeida, "O País das Uvas"
Trindade Coelho, "Os Meus Amores"
António Nobre, "Só"
Cesário Verde, "O Livro de Cesário Verde"

Conclusões
Duarte Drumond Braga
8 sessões, a partir de 28 de Fevereiro (até 18 de Abril), sempre às quartas-feiras (18h00-19h30)

IV

Introdução à Espiritualidade nas Grandes Religiões

Um contributo para o diálogo inter e trans-religioso

A
1. Religião, espiritualidade e mística. Espiritualidade ateia e agnóstica.
2. O fenómeno místico. Génese e polissemia da palavra e do conceito. A mística como experiência integral da realidade e da vida (Raimon Pannikar).
3. Formas da experiência mística: teístas e não teístas, metódico-ascéticas e espontâneas. A questão da “mística selvagem” (Michel Hulin).

B
1. Bramanismo e Hinduísmo.
2. Taoísmo.
3. Budismo.
4. Judaísmo.
5. Neoplatonismo.
6. Cristianismo.
7. Islamismo.
8. Exemplos de experiência e pensamento místico em Portugal.

C
Conclusão: A urgência de Vida plena, de diálogo inter e trans-religioso e de superação do monoculturalismo.

Paulo Borges
12 sessões, a partir de 2 Março (até 25 de Maio), sempre às sextas-feiras (18h00-19h30)


Inscrições (até 23 de Fevereiro): Curso I, 40 euros;
Curso II, 30 euros;
Curso III, 25 euros;
Curso IV, 35 euros (direito a Certificado de Participação)

Associação Agostinho da Silva, Rua do Jasmim, 11, 2º andar – 1200-228 Lisboa;

e-mail: AgostinhodaSilva@mail.pt; Tel.: 21 3422783 / 96 7044286;

http: www.agostinhodasilva.pt

sexta-feira, janeiro 19, 2007

2º ANIVERSÁRIO:



Em Dezembro de 2006 comemorou-se o segundo aniversário dos Meninos da Avó, infelizmente a imprecisão da data fez com só em Janeiro de 2007 se tivesse feito um encontro evocativo dessa efeméride!
Nesse encontro, onde estiveram presentes os "conspiradores" do jantar inaugural recordaram-se as sessões passadas e debateram-se as tertúlias futuras.
E o que temos para anunciar é que após estes meses de algum descanso e reflexão anunciamos que em Fevereiro retomaremos o ritmo das sessões: dois encontros por mês nas primeiras e terceiras quartas feiras de cada mês (mas sempre com flexibilidade para concretizar outros eventos e parcerias!).
É possível surgirem algumas alterações (maior alternância nos locais dos encontros, mas sempre com o principio de se fazerem em Sintra!), mas serão atempadamente divulgadas no blog.

Para o final ficam duas prendas oferecidas aos Meninos:

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objectivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinicious de Moraes


PALÁCIO DA PENA

Palácio da pena de prisão
que sinto em todo o meu ser
quando a ânsia de Libertação
(apenas ma proporciona o escrever)

Abre então as portas desse cárcere
ficando embora as grades dos versos
a prender seguro aquele voo fácil
hesitante e de sopro tão incerto

Próprio de ave alta do poema
de cujas asas arranco uma
das suas coloridas plumas:

Firmo bem no papel essa pena
que me livra de todas as penas
em só verso branco ou em rima.

Poema inédito de Alexandre Vargas

quarta-feira, janeiro 10, 2007

CONCERTO:


Após um ano de eventos nas áreas musicais mais diversas, aproveitando alguns
dos espaços culturais existentes em Sintra e ao encontro de todos os
públicos, sempre qualitativamente exigente.
O Ano de 2007 começa dia 20 de
Janeiro.... com os PEACE REVOLUTION, projecto musical suburbano Sintrense,
que incluí na sua formação dois músicos de referência (Carlos Bastos e Tito)
para uma geração que não sabe reconhecer um belo palácio sem prédios em
volta.

Todas as informações: www.peacerevolution.net ou www.myspace.com/peacerevolution

A não perder!!!
Dia 20 de Janeiro, na Sociedade Filarmónica "Os Aliados"
(S.Pedro de Sintra), pelas 22 horas. (Entrada 3 euros).

domingo, dezembro 17, 2006

BOAS FESTAS

Nesta quadra natalícia os Meninos da Avó desejam a todos os companheiros de poesia um feliz Natal e boas entradas em 2007.

Devido às habituais deslocações e azáfama desta quadra, no mês de Dezembro não se realizaram sessões dos Meninos da Avó.

Em Janeiro haverá novidades em relação à dinâmica dos Meninos, até lá mantenham-se atentos e participativos.

A Poesia está na rua. Não a pise.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

quarta-feira, dezembro 06, 2006

REVELAÇÕES POÉTICAS:


Realiza-se o terceiro evento de poesia e música do ciclo Revelações Poéticas, que decorrerá no dia 9 de Dezembro, entre as 15h30m e as 17h, no Salão Nobre do Palácio da Pena em Sintra. Dedicado a Dom Fernando II, rei artista, o evento terá por tema o "Romantismo".

Durante o evento, os seguintes poetas apresentarão obras de sua autoria: Fred Lessing, Fernando Lobo, Leonel Machado, Maria Almira Medina, Jorge Telles Menezes e Alexandre Vargas. O conteúdo musical será assegurado por João Jacob (guitarra clássica).

No evento, durante o qual serão servidos chá e doçarias de Sintra, convidaremos também o público a apresentar poemas de sua própria autoria. Não tenha receio — traga um poema seu e partilhe-o connosco!

O evento é gratuito. Contudo, agradecemos que confirme a sua presença por correio electrónico (flessing@daymoon-music.com) ou telefone (dia 219244004, noite 219105260).

quarta-feira, novembro 29, 2006

HOMENAGEM:

Lembra-te

Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando seu fim
seu ansioso lugar
seu botão de florir o horizonte
e que dessa procura
extenuante e precisa
não teremos sinal
senão o de saber
que irá por onde formos
um para o outro
vividos

Mário Cesariny, já mais pó de estrelas do que de carne.


Voz numa pedra

Não adoro o passado
não sou três vezes mestre
não combinei nada com as furnas
não é para isso que eu cá ando
decerto vi Osíris porém chamava-se ele nessa altura Luiz
decerto fui com Ísis mas disse-lhe eu que me chamava João
nenhuma nenhuma palavra está completa
nem mesmo em alemão que as tem tão grandes
assim também eu nunca te direi o que sei a não ser pelo arco em flecha negro e azul do vento

Não digo como o outro: sei que não sei nada
sei muito bem que soube sempre umas coisas
que isso pesa que lanço os turbilhões e vejo o arco íris
acreditando ser ele o agente supremo do coração do mundo
vaso de liberdade expurgada da monstruosa vida diante dos nossos olhos
Ainda longe longe essa cidade futura onde «a poesia não mais ritmará a acção
porque caminhará adiante dela»
Os pregadores da morte vão acabar?
Os segadores do amor vão acabar?
A tortura dos olhos vai acabar?
Passa-me então aquele canivete
porque há imenso que começar a podar
passa não me olhes como se olha um bruxo
detentor do milagre da verdade
a machadada e o propósito de não sacrificar-se não construirão ao sol coisa nenhuma
nada está escrito afinal

Mário Cesariny, já mais pó de estrelas do que de carne.


Pastelaria

Afinal o que importa não é a literatura nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Mário Cesariny, já mais pó de estrelas do que de carne.

Descanse em Paz.

SESSÃO DE DIA 24/11/2006:

O autor Diogo Carvalho



Realizou-se no dia 24 de Novembro a 44ª sessão dos Meninos da Avó.
Como anunciado a sessão contou com a presença do autor Diogo Carvalho que apresentou o seu livro “Nunca Só”.
O lançamento do livro ocorreu no restaurante Regalo da Gula, onde se encontraram alguns amigos e colegas do autor, o que contribuiu para um ambiente tertuliante algo íntimo mas muito interessante.
De seguida fez-se a sessão dos Meninos da Avó no café/bar 2 ao quadrado, na sessão leram-se poemas e textos do livro, sendo de referir uma performance feita por uma amiga do autor com uma forte componente cénica e emotiva!
Debateram-se alguns dos poemas do autor assim como a inspiração por detrás de alguns deles.
Para finalizar evocaram-se os 100 anos do nascimento de Rómulo de Carvalho/António Gedeão.

Lágrima de preta

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.

António Gedeão


Máscaras

São pequenas as coisas que fazem muito sentido
Sofrer por aqui não estares, sem nunca te ter tido
Conhecer a história de um romance, sem nunca o ter lido
Sentar-me no trono do herói, sem nunca o ter sido.

É um baile de máscaras onde cada um pode ser o que quiser
Ser Rei, animal, criança ou mesmo mulher.
Pode-se fantasiar até onde se entender
Nada do que se dá é verdade, nada há a perder.

Nascemos neste baile que é já tão antigo
Usamos uma máscara para cada ocasião, nenhuma é de amigo
Se do coração falo, ninguém ouve o que digo
E se alguém notasse, qual seria o castigo?

É uma realidade triste e torta
Largo máscaras e saio pela porta
Sinto na cara um frio que corta
Mas até o frio aconchega mais que essa gente morta.

Larguei as máscaras e afinal
Dei por mim nas ruas da capital
A assistir aos bailes pelo beiral
De uma janela com um belo vitral.

Mais uma máscara para ver outro exterior
Para colorir o cinzento, dar um pouco mais de cor
Olhar para fora não provoca assim a dor
Mas estar lá dentro não significa conhecer o amor.

No baile não há confiança
Aquela peruca apenas parece uma bela trança
Aquilo que cá fora mais me cansa
É haver tão pouca gente nesta dança.

Máscaras que nos dão, outras que pomos
Ninguém quer saber como realmente somos.

Diogo Carvalho, in “Nunca Só”

sexta-feira, novembro 17, 2006

PRÓXIMA SESSÃO


Como já tinha sido anunciado a próxima sessão dos Meninos da Avó será no dia 24 de Novembro (sexta-feira).
Associamo-nos ao lançamento do livro "Nunca Só" do autor Diogo Carvalho.
O lançamento será feito no dia 24 de Novembro às 17h30m, no restaurante Regalo da Gula na quinta da Regaleira.
Depois às 22h ocorrerá a sessão dos Meninos no café/bar 2 ao Quadrado onde iremos contar com a presença do Diogo Carvalho e faremos uma apresentação do autor e do seu livro.
A Poesia está na Rua. Não a Pise

quinta-feira, novembro 16, 2006

What does the sun do?
You and I: we all.
There's no before no after
because the sun does itself
rather eyes of life's ways.

What do we do?
More than the sun life.
And there's no why or because
only one way to be alive
here very next of the light.

Filipe de Fiuza

quarta-feira, novembro 15, 2006

ANIVERSÁRIO:

E para se cumprir o que já vem sendo tradição, dia 18 de Novembro (Sábado) festeja-se mais um aniversário do DJ ManMachine.
Desta vez, para descentralizar, a festa vai ser em Sintra no Rustikafé, a música vai a ser a habitual mistura entre Electro, Rock, 80's e Disco.
O Dj convidado vai ser o Dj Attic, que se enquadra perfeitamente neste contexto festivo
O Rustik estará aberto desde as 22 até as 02..03..04.. depende de vocês ;)

APAREÇAM


Mais informações: http://www.manmachine.pt.vu/

REUNIÃO/DEBATE:

Missão 'Chalet da Condessa' (Em Galamares, dia 17.11.2006, às 21h)

De entre o património ao abandono absoluto em Sintra, Património Mundial, ressalta de forma chocante o chalet romântico de D. Fernando II e sua segunda esposa, Elise Hensler, condessa d'Edla, escondido na mata da Pena.Entendendo um grupo de cidadãos que se torna necessário agir de forma construtiva e propulsora no sentido do restauro dum património que é de todos, vimos convocar os cidadãos cultores da Memória para uma reunião/debate sobre este tema nas Caves de S. Martinho, em Galamares, dia 17 de Novembro, pelas 21h, aí se vindo a assentar sobre as formas de, enquanto sociedade civil, desperta e preocupada, actuar na busca dum final feliz para o Chalet da Condessa de Edla.

Mais informações em http://www.alagamares.net

terça-feira, novembro 14, 2006

ENCONTRO:


Dia 17 de Novembro encontro com Paulo Loução no café/bar 2 ao quadrado.

Sobre Paulo Loução:
Nasceu em 1964, na cidade de Lisboa. Nos seus estudos distinguiu-se na área da matemática, mas veio a intensificar a sua formação nos domínios da filosofia clássica, simbologia, antropologia religiosa e filosofia da história. Para isso, contribuiram os seus quinze anos de estudo e investigação na Escola de Filosofia da Associação Cultural Nova Acrópole. Tem escrito artigos e ensaios em áreas tão diversas como a ecologia, filosofia, esoterismo, história de Portugal e antropologia do imaginário. Desde há uns anos tem orientado as suas investigações no sentido de colaborar no necessário resgate da memória cultural e espiritual do nosso país. O estudo das diversas visões do mundo e da sua relação com o comportamento humano é também uma área que tem merecido a sua especial atenção.Actualmente é director do Projecto Ésquilo. Nesta qualidade concebeu e dirigiu o projecto multimédia, Descobrimentos Portugueses, editado em suporte CD-Rom. Amante da filosofia, escreveu um comentário filosófico à Alegoria da Caverna de Platão, que foi publicado pela Ésquilo em conjunto com a tradução de Pinharanda Gomes do texto clássico citado.

segunda-feira, novembro 13, 2006

PRÓXIMA SESSÃO:

Anunciamos que a próxima sessão dos Meninos da Avó ocorrerá só no dia 24 de Novembro (sexta-feira).
Excepcionalmente esta quarta feira não faremos sessão, pois associamo-nos ao lançamento do livro "Nunca Só" escrito por Diogo Carvalho.
O lançamento será feito ao final da tarde e depois terá continuidade na sessão dos Meninos onde contamos com a presença e participação do autor e leitura de alguns dos poemas que fazem parte desta sua primeira obra.



quarta-feira, novembro 08, 2006

TEATRO

Estreia dia 11 de Novembro * Entrada gratuita!

EstE sábado, dia 11 de Novembro, pelas 15h30, a Biblioteca Municipal de Cacém recebe a primeira apresentação ao público de O Capitão Bigodão Doce, um espectáculo infanto-juvenil que, de forma muito divertida, aborda o tema da prevenção rodoviária - do ponto de vista dos mais pequenos.
O Capitão Bigodão Doce é a primeira das aventuras deste simpático personagem, criado por João Pedro Frazão, que a Utopia Teatro leva à cena. Em breve, Bigodão Doce ver-se-à envolvido noutras peripécias...
11 de Novembro, 15h30: Biblioteca Municipal do Cacém (Praceta das Descobertas, nº 22 A, 2735-095 Cacém)

25 de Novembro, 15h30: Biblioteca Municipal de Sintra (Rua Gomes de Amorim nº 12/14, 2710-569 Sintra)

O Capitão Bigodão Doce
Roda-Baixa uma criança como todas as outras que só pensa em brincar… Mas será seguro brincar na rua? Não será perigoso andar de bicicleta na estrada? Quais os cuidados e precauções a ter?

No intervalo entre duas aulas, Roda-Baixa pedala para ir a casa buscar a sua bola de futebol. E no caminho Roda-Baixa tem um pequeno acidente… Talvez porque não fez a manutenção da bicicleta ou por que ia distraído, quem sabe?Em seu auxílio vem o Capitão Bigodão Doce: gordo, com uma forte bigodaça, muito brincalhão, bem contente e feliz mas preocupado com a segurança rodoviária.

sexta-feira, novembro 03, 2006

SESSÃO DE DIA 1/11/2006:


Rui Brás delcmando Poe
Realizou-se no dia 1 de Novembro de 2006 a 43ª Sessão dos Meninos da Avó. Um sessão livre algo intimista mas nem por isso fugiu do tema proposto: o Sobrenatural.
Evocaram-se fundamentalmente dois autores: Edgar Allan Poe e José Régio.
Edgar Allan Poe é visto como um dos autores com maiores ligações ao misticismo e sobrenatural leram-se alguns textos deste autor nomeadamente o “Corvo” obra maior e alvo de uma tradução de Fernando Pessoa.
José Régio é um autor com grande dose mística e que foi evocado num poema dedicado a outra grande personalidade cultural nacional Fernando Lopes Graça!

De seguida ficam dois textos lidos na sessão.

Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de algúem que batia levemente a meus umbrais.
"Uma visita", eu me disse, "está batendo a meus umbrais.
É só isto, e nada mais."
Ah, que bem disso me lembro! Era no frio dezembro,
E o fogo, morrendo negro, urdia sombras desiguais.
Como eu qu'ria a madrugada, toda a noite aos livros dada
P'ra esquecer (em vão!) a amada, hoje entre hostes celestiais -
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais,
Mas sem nome aqui jamais!
Como, a tremer frio e frouxo, cada reposteiro roxo
Me incutia, urdia estranhos terrores nunca antes tais!
Mas, a mim mesmo infundido força, eu ia repetindo,
"É uma visita pedindo entrada aqui em meus umbrais;
Uma visita tardia pede entrada em meus umbrais.
É só isto, e nada mais".
E, mais forte num instante, já nem tardo ou hesitante,
"Senhor", eu disse, "ou senhora, decerto me desculpais;
Mas eu ia adormecendo, quando viestes batendo,
Tão levemente batendo, batendo por meus umbrais,
Que mal ouvi..." E abri largos, franqueando-os, meus umbrais.
Noite, noite e nada mais.
A treva enorme fitando, fiquei perdido receando,
Dúbio e tais sonhos sonhando que os ninguém sonhou iguais.
Mas a noite era infinita, a paz profunda e maldita,
E a única palavra dita foi um nome cheio de ais -
Eu o disse, o nome dela, e o eco disse aos meus ais.
Isso só e nada mais.
Para dentro então volvendo, toda a alma em mim ardendo,
Não tardou que ouvisse novo som batendo mais e mais.
"Por certo", disse eu, "aquela bulha é na minha janela.
Vamos ver o que está nela, e o que são estes sinais."
Meu coração se distraía pesquisando estes sinais.
"É o vento, e nada mais."
Abri então a vidraça, e eis que, com muita negaça,
Entrou grave e nobre um corvo dos bons tempos ancestrais.
Não fez nenhum cumprimento, não parou nem um momento,
Mas com ar solene e lento pousou sobre os meus umbrais,
Num alvo busto de Atena que há por sobre meus umbrais,
Foi, pousou, e nada mais.
E esta ave estranha e escura fez sorrir minha amargura
Com o solene decoro de seus ares rituais.
"Tens o aspecto tosquiado", disse eu, "mas de nobre e ousado,
Ó velho corvo emigrado lá das trevas infernais!
Dize-me qual o teu nome lá nas trevas infernais."
Disse o corvo, "Nunca mais".
Pasmei de ouvir este raro pássaro falar tão claro,
Inda que pouco sentido tivessem palavras tais.
Mas deve ser concedido que ninguém terá havido
Que uma ave tenha tido pousada nos meus umbrais,
Ave ou bicho sobre o busto que há por sobre seus umbrais,
Com o nome "Nunca mais".
Mas o corvo, sobre o busto, nada mais dissera, augusto,
Que essa frase, qual se nela a alma lhe ficasse em ais.
Nem mais voz nem movimento fez, e eu, em meu pensamento
Perdido, murmurei lento, "Amigo, sonhos - mortais
Todos - todos já se foram. Amanhã também te vais".
Disse o corvo, "Nunca mais".
A alma súbito movida por frase tão bem cabida,
"Por certo", disse eu, "são estas vozes usuais,
Aprendeu-as de algum dono, que a desgraça e o abandono
Seguiram até que o entono da alma se quebrou em ais,
E o bordão de desesp'rança de seu canto cheio de ais
Era este "Nunca mais".
Mas, fazendo inda a ave escura sorrir a minha amargura,
Sentei-me defronte dela, do alvo busto e meus umbrais;
E, enterrado na cadeira, pensei de muita maneira
Que qu'ria esta ave agoureia dos maus tempos ancestrais,
Esta ave negra e agoureira dos maus tempos ancestrais,
Com aquele "Nunca mais".
Comigo isto discorrendo, mas nem sílaba dizendo
À ave que na minha alma cravava os olhos fatais,
Isto e mais ia cismando, a cabeça reclinando
No veludo onde a luz punha vagas sobras desiguais,
Naquele veludo onde ela, entre as sobras desiguais,
Reclinar-se-á nunca mais!
Fez-se então o ar mais denso, como cheio dum incenso
Que anjos dessem, cujos leves passos soam musicais.
"Maldito!", a mim disse, "deu-te Deus, por anjos concedeu-te
O esquecimento; valeu-te. Toma-o, esquece, com teus ais,
O nome da que não esqueces, e que faz esses teus ais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Fosse diabo ou tempestade quem te trouxe a meus umbrais,
A este luto e este degredo, a esta noite e este segredo,
A esta casa de ância e medo, dize a esta alma a quem atrais
Se há um bálsamo longínquo para esta alma a quem atrais!
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Profeta", disse eu, "profeta - ou demônio ou ave preta!
Pelo Deus ante quem ambos somos fracos e mortais.
Dize a esta alma entristecida se no Éden de outra vida
Verá essa hoje perdida entre hostes celestiais,
Essa cujo nome sabem as hostes celestiais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"
Disse o corvo, "Nunca mais".
E o corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda
No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais.
Seu olhar tem a medonha cor de um demônio que sonha,
E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão há mais e mais,
Libertar-se-á... nunca mais!
O Corvo, Edgar Allan Poe


ÍCARO

ao Fernando Lopes Graça

A minha Dor, vesti-a de brocado,
Fi-la cantar um choro em melopeia,
Ergui-lhe um trono de oiro imaculado,
Ajoelhei de mãos postas e adorei-a.

Por longo tempo, assim fiquei prostrado,
Moendo os joelhos sobre lodo e areia.
E as multidões desceram do povoado,
Que a minha Dor cantava de sereia...

Depois, ruflaram alto asas de agoiro!
Um silêncio gelou em derredor...
E eu levantei a face, a tremer todo:

Jesus! ruíra em cinza o trono de oiro!
E, misérrima e nua, a minha Dor
Ajoelhara a meu lado sobre o lodo.

José Régio, Poemas de Deus e do Diabo.