A ideia já é antiga. Reunir poetas, actores, leitores, ouvintes. Reunir seres humanos em redor da mais acolhedora das lareiras: a Poesia. Saudosos de outras tertúlias que o tempo consumou e consumiu, sentimos chegada a hora de retomar o hábito de nos desabituarmos da vida em prosa. Ei-nos regressados ao convívio das palavras!
quarta-feira, setembro 27, 2006
FEIRA AO LARGO:
Face à importância histórica e à situação privilegiada do núcleo antigo da Vila de Colares, a Junta de Freguesia de Colares e um grupo de residentes com o apoio da Câmara Municipal de Sintra (Divisão de Animação Cultural) vão realizar uma feira multifacetada no Largo da Igreja Matriz desta Vila no último sábado dos meses de Junho a Outubro (inclusive) e no período das 11.00 às 23 horas.
Esta feira consistirá na exposição e venda de:
- objectos antigos de colecção;
- livros temáticos antigos e contemporâneos e a representação da Livraria Municipal de Sintra;
- artesanato contemporâneo de autor ( brinquedos / marionetas / vestuário / objectos enquadrados na linguagem antropológica da região / entre outros );
- produtos de agricultura biológicos desta e de outras regiões;
- vinhos da região, representados pela Adega Regional de Colares e outros produtores.
No decorrer do evento e cerca das 19.00 h ocorrerão momentos musicais a cargo de agrupamentos do Concelho.
30 de Setembro
Grupo Coral e Instrumental Heróis da Musica
O Espírito da Lua – Teatro de Rua pelo Utopia Teatro às 22.00
sábado, setembro 23, 2006
sexta-feira, setembro 22, 2006
SESSÃO DE DIA 20/09/2006:

Realizou-se no dia 20 de Setembro a 40ª sessão dos Meninos da Avó. Numa noite dedicada ao Atlântico, a música interpretada por dois açorianos foi o momento mais marcante.
Numa linguagem simbiótica entre duas guitarras Pedro Hilário e o músico convidado (a “surpresa” do anúncio) Victor Castro, brindaram-nos com uma performance musical única evocando o espírito da mítica Atlântida. Uma sensação de insularidade dominou o espírito de uma sessão marcante que vai perdurar na nossa memória!
De seguida ficam alguns poemas de autores açorianos lidos na sessão:
DEZEMBRO DE SETENTA E UM,
CINCO ANOS DEPOIS
No dia em que Pompidou, Nixon e Marcelo
estiveram na Terceira, nós estávamos em casa e fazíamos
[amor.
E da janela do quintal chegámos a avistar os carros
[presidenciais
e parte da multidão que fazia o seu papel de multidão.
No dia seguinte, os jornais muitos dias depois lidos,
falavam da cimeira exaustivamente.
Fotografias da santíssima trindade e dos sítios onde
se hospedaram: o Marcelo no palácio dos capitães, o
[Pompidou
na estalagem da Serreta e o Nixon na sua base das Lajes.
O Dias Júnior ofereceu quadros trabalhados por ele em
[cedro
aos presidentes
Também vimos reportagens em grandes revistas
[internacionais.
Tudo isto não teria a mínima importância se,
por esses dias não estivéssemos em casa, violando
as regras do jogo que mandam o cidadão açoriano ser
hospitaleiro, agitar bandeirinhas patriotas e bater palmas
ante altíssimas cimeiras como aquelas.
Que estariam fazendo os poetas americanos e franceses
naquele dia? Estariam como nós a Ocidente, desfazendo
impérios, inventando a arte de dominar o corpo? Nós,
tínhamos a esperança que sim. Mas o Vietnam continuava,
Angola, Guiné-Bissau e Moçambique também. A nação
[árabe
bramia o petróleo contra Israel e por tabela contra
os presidentes de sorriso roubados ao sol de dezembro
[da nossa ilha
mas armados até aos dentes; e contra a gente
também. Mas nós vínhamo-nos no auge da crise:
assim é que estava bem! Cincos anos depois é justo
não esquecer que estávamos em casa e fazíamos amor
bem perto dos abutres e do seu repasto.
J. H. Santos Barros, “Os Alicates do Tempo”; edições Afrontamento 1979.
SONHO ORIENTAL
Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha…
O aroma da magnólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente…
Lambe a orla dos bosques vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha…
E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto num cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,
Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.
Antero de Quental, “Sonetos”
Uma nota final para agradecer esta foto tirada pelo Gonçalo Morais e aconselhar uma visita ao seu blog: http://gnupost.com/blog
terça-feira, setembro 19, 2006
INAUGURAÇÃO DO "BANCO DO TEMPO"
A agência de Sintra do Banco do Tempo vai ser inaugurada no dia 27 de Setembro, às 18h30 na Casa Mantero (Biblioteca Municipal de Sintra).
Promovido pela Associação Graal, o Banco do Tempo é uma rede de infra-estruturas de apoio social que promove a cooperação entre pessoas baseada na gestão do tempo pessoal para troca de serviços.
Os serviços prestados correspondem a actividades não profissionais assentes na boa vontade e na lógica das relações de “boa vizinhança”, como por exemplo, ajuda doméstica, acompanhamento a crianças, actividades recreativas, companhia, lições, cozinha e lavores.
Podem ser membros todos os que se interessem e empenhem nas actividades do Banco do Tempo. Quando alguém precisa de um serviço, contacta a agência. A agência procura um membro que o possa realizar e em seguida procura a melhor forma de pôr ambos em contacto.
O Banco do Tempo de Sintra terá sede na Associação Juvenil Ponte, situada em Casais de Mem Martins.
(contactos: 219 260 144/938 115 938)
quinta-feira, setembro 14, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:
Vai ser uma sessão livremente condicionada ao Atlântico!
Contamos com uma possível surpresa para os presentes e convidamos a todos para pesquisarem e embrenharem-se nos mitos e poesia ligada ao Atlântico ou feita por Atlantes....
A Poesia está na rua! Não pisar
5ª SESSÃO EXTRAORDINÁRIA:

Pedro Hilário e Nelson Tamagnini
No dia 13 de Setembro decorreu a 5ª sessão extraordinária dos Meninos da Avó. Como foi publicitado contámos com a presença do artista multifacetado Nelson Tamagnini.
Fomos presenteados com uma apresentação musical muito especial onde se tocou o Dulcimer, um instrumento feito pelo próprio artista e com um som muito característico!
Com a preciosa colaboração de Pedro Hilário o apontamento musical terminou com uma jam session.
Finalmente Nelson Tamagnini mostrou-nos e deu breves explicações de algumas das suas esculturas, obras expostas e reconhecidas principalmente na Inglaterra.
Foi uma sessão muito diversificada onde fizemos mais um amigo de quem esperamos manter o contacto e saborear as suas diversas facetas de artista!
( : sono)
O meu sono é entrançado.
Cruzo rendas e caminhos enquanto durmo
e tacteio as margens bordadas do meu cansaço.
De dia
deito-me entre as laranjas que escorregam das árvores
devagar.
Toco-as, respiro-as.
Às vezes recorto as cascas vivas
e faço tranças e rendas
para me poder vestir
de vitaminas e sol.
Com os caroços faço colares enormes
que prendo no cabelo
e que depois desfaço
para contar os dias.
Ana (poema lido durante a jam session)
quinta-feira, setembro 07, 2006
SESSÃO EXTRAORDINÁRIA:
Desta vez teremos uma sessão musical protagonizada por Nelson Tamagnini e tem como nome: «A Passagem de uma Alma Multiversal por Sintra com uma Dulcimer nas Mãos»
Nelson Tamagnini nasceu em Portugal no dia 30 de Novembro de 1942. Tem vivido uma vida de um viajante errante. Em 1971 fez um curso no colégio de Artes de Hammersmith, posteriormente estudou no Colégio de Arte de Chelsea onde, em 1974, terminou um graduação académica. Toca guitarra portuguesa e colabora com o grupo Theatre 84, fez algumas pequenas exibições no instituto de artes contemporâneas em 1974. Utiliza materiais pouco convencionais na sua arte visual (maioritariamente em 3 dimensões). É frequente deixar trabalhos seus nas suas viagens em portas e muros, o que demonstra o seu sentido de humor fatalista.
Dulcimer é um instrumento inspirado no folclore inglês, 37 cordas esticadas em três fontes, consegue três sonoridades diferentes. Improvisa, como no jazz, com essa sonoridade. Dulcimer é fora de moda, construída por Nelson, os 37 cravos com um furo no meio foram também feitos pelo próprio músico. É um rectângulo de madeira, a caixa tem 5 cm de espessura e em cima tem um V onde se afina as cordas.
Citação do artista:
“Como um Verdadeiro Artista, eu vejo o meu trabalho (o toque de génio de um Criador) como uma Humilde contribuição para a humanidade e um fragmento de um Divino e Grande Puzzle… ….TUDO JUNTO FAZ SENTIDO!”
SESSÃO DE DIA 06/09/2006:

No dia 6 de Setembro decorreu a 39ª sessão dos Meninos da Avó. Como foi referido contámos com a presença do poeta Duarte Braga.
Este poeta estudioso das letras trouxe-nos a sua poesia sacro-mística (da sua colectânea ainda inédita A madrugada dos cegos ou Terra vertical), assim como algumas das 72 Teses sobre a Graça e a Matéria e uma conversa sobre os dois contos que os inspiraram: Santa Eponina de Raul Brandão e o menino da avó esmagado nas rochas do Conto de Natal de Fialho de Almeida.
Fica a promessa de serem publicados no blog, num futuro próximo, alguns textos referentes à participação do poeta Duarte Braga.
A sessão decorreu na encantadora esplanada situada na fonte das Quimeras onde contámos com uma noite muito amena e um abençoada lua cheia, também com intervenções livres do público das quais publicamos duas em seguida.
Uma última referência à presença de muitos meninos novos que marcaram presença pela primeira vez e esperamos que as suas visitas se tornem frequentes!
Imagem do Sol
O Sol está mergulhado na atmosfera
como nas penas o bico
da ave aquática que dorme
Sobre a cordilheira chuva
louro-claro espessa como crinas de cavalo
E então ergue-se o indómito
animal encharcado na luz
transbordante como se o ar florisse
(Aflorar, Stuttgart, DVA, 1998), Christoph Willhelm Aigner
içar loucos lumes com amigos contentes
de facto fim enquanto entendem enclavinhar
homens à intransmissão do lugar povoado
que enche quatriliões de plexiformes sóis
porque aqui éons possivelmente vegetei
em choro legítimo mel de escarpas
ao colidir com a esfera dum pleno desvanecer
naturismo alar de verter cálidas interrogações
voltem de máximas procuras de mínimos voltem
motivos que transbordam vorazes ilíquidos
de supressões radicais acudindo-nos
por implantar torrentes sentimentais
compelindo inestéticos peões à foz arborescente
consoante a medida do tomador vermelho
Filipe de Fiuza
Duarte Braga
72 Teses Sobre a Graça e a Matéria
« La Grâce, c’est la loi du mouvement descendent» (S. Weil).
I
A Graça é uma lei da descida, da descida aos infernos.
Cristo desceu ao limbo para libertar os profetas antigos: o movimento do novo que
liberta o antigo e sua lei de conservação.
A Graça é o mais novo, o caule que mais hesita.
A graça é a absoluta novidade, o absolutamente novo.
O coleccionador é aquele que mais peca contra o espírito.
A Graça é o novo. Deus como a grande catedral de Rilke, construída por mãos trémulas,
a abóbada.
As capelas imperfeitas do mosteiro da Batalha mostram-na em acção e suspensão.
O movimento de adentramento na matéria, em Raul Brandão e Fialho, é o movimento
de assumpção da matéria e do seu resgate, mas um resgate feito pelo amor dela, pelo
beijo ao leproso.
O esvaziamento da matéria é a experiência do seu peso.
O esvaziamento da matéria é a experiência do seu amor.
Restantes aforismos no link: www.pauloborges.net na secção de autores convidados
quarta-feira, setembro 06, 2006
AGOSTINHO DA SILVA:
2006 Centenário de Agostinho da Silva
Programação geral Setembro 2006
Dia 9, Sábado - 21h30, Feira do Livro de Gondomar: Inauguração da Exposição "Agostinho da Silva: Pensamento e Acção"/ Evocação de Agostinho da Silva (Renato Epifânio).
Dia 12, 3ª feira - 18h30, Livraria Fnac (Chiado, Lisboa): Apresentação da obra Tempos de Ser Deus: a espiritualidade ecuménica de Agostinho da Silva (de Paulo Borges).
- Biblioteca Municipal de Palmela: Inauguração da Exposição "Agostinho da Silva: Pensamento e Acção".
Dia 21, 5ª feira - 18h00, Museu d´Água/ Aqueduto da Patriarcal (Jardim do Príncipe Real, Lisboa): Apresentação da obra Tempos de Ser Deus: a espiritualidade ecuménica de Agostinho da Silva (de Paulo Borges). Com a presença de Frei Bento Domingues e de outros representantes de diversas confissões religiosas.
Dias 21-22 - Centro de Estudos Afro-Orientais, CEAO (Salvador da Baía, Brasil): Ciclo "Agostinho da Silva e a Baía" (com a presença de Pedro Agostinho da Silva, Amândio Silva e Jocélio Santos (Presidente do CEAO).
Dia 22, 6ª feira - 21h00, Fórum da Maia (Maia): Comunidade de Leitores, "Uns poemas de Agostinho".
Dia 30, Sábado - 15h00, Biblioteca Municipal de Palmela: "Curso de Introdução ao Pensamento de Agostinho da Silva" (Renato Epifânio, Ricardo Ventura, Rui Lopo).
- Biblioteca Municipal de Sesimbra: "Colóquio Agostinho da Silva e o Espírito Universal"
10h00: Sessão de Abertura.
- Apresentação do Colóquio pela Vereadora do Pelouro das Bibliotecas Municipais, Guilhermina Ruivo.
- Introdução à vida e à obra de Agostinho da Silva, por Paulo Borges, Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Presidente da Associação Agostinho da Silva e da Comissão das Comemorações do seu Centenário.
10h30/12h30: Mesa "A Educação em Agostinho da Silva". - Luís Paixão - Joaquim Domingues - Manuel Ferreira Patrício Moderador: João Aldeia
12h30/14h30: Almoço
14h30/16h30: Mesa "A obra literária de Agostinho da Silva" - Ruy Ventura - Nicolau Saião - António Cândido Franco Moderador: Pedro Martins
16h30/17h00 Intervalo
17h00/19h00: Mesa "Portugal e o V Império" - Pedro Sinde - Jorge Preto - António Telmo Moderador: Roque Braz de Oliveira
Programa completo in: www.agostinhodasilva.pt
Para mais informações: Renato Epifânio (967044286)
sexta-feira, setembro 01, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:
Embora imberbe como D. Sebastião, Duarte Drummond Braga já dá cartas. Vai ler-nos O Poeta alguns poemas do seu estro ainda inédito: A madrugada dos cegos ou Terra vertical, entremeados da respectiva exegese.
Seguir-se-á a leitura de alguns aforismos satanistas, das suas 72 Teses sobre a Graça e a Matéria e uma conversa sobre os dois contos que os inspiraram: Santa Eponina de Raul Brandão e o menino da avó esmagado nas rochas do Conto de Natal de Fialho de Almeida. Aqui ficam três ou quatro aforismos:
O coleccionador é aquele que mais peca contra o espírito.
A Graça é o mais novo, o caule que mais hesita.
As flores da matéria são as coisas.
A dor é a Graça alada.
segunda-feira, agosto 21, 2006
4ª SESSÃO ESPECIAL:
O espaço onde decorreu esta sessão foi o Bar 2 ao quadrado.
Como foi anunciado contamos com a presença dos autores Luís Filipe Sarmento e Juan Manuel González a eles se juntou Fernando Dias Antunes, ficando assim completo o trio de declamadores da noite.
Uma sessão multi-cultural onde se deambulou pela língua e cultura Ibérica, vários temas e sensibilidades foram expressados mostrando a diversidade e potencialidade da Poesia como linguagem universal!
De seguida fica um poema lido na sessão:
Até quando?
Nas encruzilhadas do medo e da dor
perante o feérico olhar de Kali e o letal bailado de Shiva
sob a ímpia cadência do longevo látego patriarcal
ferra os dentes no freio da submissão
enquanto caminha vergada
ao peso da lenha que carrega
para o calor da mesa e da cama.
Sagaz guardiã da semente primordial
fonte que a vida sacia de desejo e deleite
segue os peregrinos trilhos de Lakshmi
no ciclo do nascimento e da morte
rumo ao altar da abundância.
Regaço de príncipes e cavaleiros
porto seguro de guerreiros em campanha
abismo de sacerdotes e poetas de falsidade
o seu corpo é a arena da volúpia dos prepotentes.
Final de Entrega, "Antologia de poetas contra la violencia de género"
Córdoba, 2006.
Apresentamos de seguida em forma de apresentação da obra do autor Juan Manuel González o prologo retirado do último compêndio de poesia do autor, "Hacia el Alba de Nieve, Poesia Reunida"
ITINERARIOS DE LA PALABRA
La palabra poética tiene que ser, ante todo, palabra nueva por excelencia. Quiere ello decir que un poeta ofrecerá mayor o menor prueba de su autenticidad y de su valía en la medida en que la palabra fulja en su poema, deslumbre con naturalidad, nos sorprenda por singular y, en último extremo, sea portadora de un microcosmo, es decir, de versos (mensajes) dentro del propio verso.Bajo este punto de vista, la palabra en los poemas de Juan Manuel González es nueva desde el primero hasta el último de los libros que en este volumen se recogen. Hay en ella una fuerza y una intensidad que la alejan tanto del simplismo prosaico de tanta poesía de última hora como de una tradición acusada, de perfiles excesivamente netos.Así que fuerza e intensidad (fulgor) son las características primordiales de este gran cántico del ser, de este poema de poemas que viene a continuación. Un cántico y un ser que no olvidan ni desprecian el medio en el que existen, pues en él reside precisamente el manantial del canto, la razón de ser del mismo.La naturaleza es casi siempre el lugar de la memoria de los orígenes, el medio en el que el protagonista de estos poemas vive y se siente vivir, en el que goza de lo placentero o lo pleno, sin que por ello ignore el fin a que conducen las innumerables corrupciones de cada cosa, el carácter cíclico del tiempo, lo fugitivo y salvaje de esa realidad suprema y de ese símbolo que es la sangre humana. Nada tiene, por tanto, que ver esta naturaleza enraizada, muchas veces de resonancias cósmicas, con cualquier tipo de ruralismo, costumbrismo, o paisajismo sentimental al fondo.Esta edición de poesía de Juan Manuel, "Alba de nieve", aparece, por otra parte, en un buen momento para establecer diferencias, para abrir nuevos cauces en el más bien monocorde panorama de nuestra lírica. Me refiero a que no le resulta difícil destacar con vigor por su novedad, tanto contra ese simplismo de la cotidianidad fotográfica como contra cualquier tradición o escuela literaria; esas mismas tradiciones que Luis Alberto de Cuenca y Rafael Guillén han fijado muy bien al estudiar la poesía de este autor.Y es que hay en su palabra una fuerza que no es ni del hoy ni del ayer inmediato sino de orígenes muy remotos, los de una memoria primigenia, pura, enraizada en lo telúrico igualmente en su estado puro. Es la fuerza del ser humano que no se ha dejado encantar lo más mínimo por los cantos de sirena de nuestro tiempo, ese ser humano que se ha hecho las preguntas eternas, que son las preguntas de todos. Y este poeta sabe lo principal: que "en la hora de los mensajes" quizá sólo existe "un único mensaje".Enseguida, este afán de definir la realidad, de someterla a concepto, desaparece en el decurso del poema. Y es que la palabra quiere ir más allá todavía; porque estamos ante un poeta que no define, sino que entreabre la realidad y, al hacerlo, el poema acaba siendo mundo de mundos, significado de significados. Aparentemente, la clave del tiempo del poeta pueden ser "tres letras", pero cuando esperamos que nos las entregue en sus significados, que el poema se defina, el autor nos dice que esas tres palabras son sus colores: "una escarlata, una azul, una negra". De esta manera, el poema, que parecía cerrarse ya, se nos vuelve a abrir, queda abierto para el lector en su sentido (oceánico) o sentidos.Las palabras de Juan Manuel González nos revelan mundos nuevos y en ellos los versos (cada una de sus palabras o expresiones) se abren, a su vez, a otros mundos. Este es el fin al que conduce su riquísimo lenguaje, en verdad llamativo dentro del panorama poético de la última década.Es la prueba necesaria para saber que nos encontramos ante la palabra nueva; es decir, la primordialmente poética. Esa palabra que no define sino que nos abre a dos grandes realidades: la que salva al autor y la que salva al lector. Al autor, en el sacrificio que supone toda sincera expresión. Al lector, en el don del Arte que recibe.
ANTONIO COLINAS
sábado, agosto 19, 2006
COLARTES

A segunda série deste festival - Colartes - Agosto 2006 - decorrerá no Largo de Colares nos próximos dias 25, 26 e 27 de Agosto – sexta feira, sábado e domingo, respectivamente – e conta com a participação de especialistas nas diversas áreas:
Duo de Guitarras (Música Clássica),
Primo Canto - Grupo Coral (recriação da Corte da Aldeia, com vestes de época)
Trio Pasculli (Musica Clássica) ,
Teatro Tapafuros (Estórias do Arco da Velha),
grupo "No Mundo da Lua – Canto das Artes", Teatro de Marionetas (A Lenda de Colares)
Arthemis (Artes Circenses - Animação de Rua) e
Ciclo Ingmar Bergman (A flauta Mágica).
Em simultâneo, decorrerão no Largo de Colares mostras diversas, nomeadamente de Arte, Artesanato de Autor, Ervas Medicinais e Aromáticas, Livros (Livraria Municipal de Sintra), Vinhos (Adega Regional de Colares e outros produtores locais) e Velharias.
Estes três dias de "festa ", com entrada livre, são organizadas pela Câmara Municipal de Sintra – Pelouro da Cultura e Junta de Freguesia de Colares e apoio do IPT e constituirão certamente um factor de motivação cultural para todos os que nela participem.
Programa:
25 de Agosto , sexta feira
20.30 - Lenda de Colares, No Mundo da Lua Teatro de Marionetas
22.00 – Música Clássica , Duo de Guitarras
26 de Agosto , sábado
16.00 – Estórias do Arco da Velha ,Teatro Tapafuros
18.00 – Artes Circenses - Animação de Rua, Arthemis
22.00 – Canto lírico - recriação da Corte de Aldeia, Primo Canto
27 de Agosto , domingo
17.00 – A Flauta Mágica de Ingmar Bergman – projecção no Sport União Colarense
20.30 – Música Clássica , Trio Pasculli
sábado, agosto 12, 2006
PEÇA:

O Espírito da Lua
7 estórias com sabor a queijadas de Sintra!
Depois do sucesso de Água Moura (Sintra, 2003), Feira do Al-Ado (Algueirão, 2004) e Viajante da Lua (Sintra, 2005), a Utopia Teatro regressa ao teatro de rua com O Espírito da Lua.
Com texto e encenação de Nuno Vicente e Susana Guimarães, O Espírito da Lua conta com a participação de 7 actores e actrizes que se desdobram em dezenas de personagens ao longo de 7 estórias em tom de comédia que ficcionam aspectos históricos de Sintra e suas gentes. As saloias no Chão de Oliva; as damas e fidalgos da corte no Paço da Vila; D. Sebastião ouvindo Camões recitar Os Lusíadas; os Templários e os caçadores de tesouros; Byron e o relógio da torre; D. Fernando II e a Condessa de Edla de volta das estufas do Parque da Pena são algumas das personagens e locais que fazem com que O Espírito da Lua viva eternamente em Sintra.
Teatro de Rua * Entrada gratuita!
Ante-estreia:
11 de Agosto, sexta-feira, 22h00: Jardim Central de Montelavar
12 de Agosto, sábado, 22h00: Largo do Coreto de Fontanelas
Em Sintra: de 8 a 24 de Setembro, sextas, sábados e domingos, 22h00: Largo do Palácio da Vila de Sintra
Epílogo: 30 de Setembro, sábado, 22h00: Largo da Igreja Matriz em Colares
sábado, agosto 05, 2006
PRÓXIMAS SESSÕES:
Dia 16 de Agosto teremos uma sessão virada para as artes dramáticas! Rui Brás irá falar sobre o teatro no século XVI e contaremos com um cheirinho da peça Hamlet representada pelo grupo de teatro Tapa-Furos precisamente na Quinta da Regaleira! Uma sessão direccionada cronológica e tematicamente para o teatro!
Dia 18 de Agosto teremos a 4ª Sessão Especial dos Meninos da Avó!
Que consistiraá num recital com três escritores ibéricos: Juan manuel Gonzalez, Antonio Rodriguez Jimenez e Luís Filipe Sarmento.
A apresentação dos dois escritores espanhóis estará a cargo de Luís Sarmento que também lerá textos seus.
A sessão decorrerá no bar 2 ao quadrado.
Os horários mantêm-se: por volta das 20 horas para quem quiser jantar; por volta das 22 horas inicio da sessão propriamente dita.
A Poesia está na rua. Não pisar
SESSÃO DE 2/08/2006:

No dia 2 de Agosto decorreu a 37ª Sessão dos Meninos da Avó, como foi anunciado contamos com a presença do autor Ricardo Rodrigues.
O autor juntamente com o fotográfo Jordi Burch vieram apresentar o livro "Bitcho Bravo".
Este livro integra a colecção "Cadernos de Reportagem" da editora Dom Quixote e consiste numa descrição do quotidiano das populações do Vale do Barroso (Trás-os-Montes).
Devido ao isolamento e singularidade geográfica estas populações conservam ainda muitas características e modos de vida tradicionais. O livro foca principalmente o conflito ancestral entre a população humana e a dos lobos (chamado de Bitcho Bravo).
O autor contou-nos o prazer e as dificuldades que teve ao fazer a investigação e as entrevistas para o livro assim como alguns episódios caricatos.
Uma sessão marcada pela boa disposição e pela grande capacidade de comunicação dos intervenientes (Rui Brás foi o responsável pela apresentação inicial do autor).
sexta-feira, agosto 04, 2006
MANUELA SOUSA LOBO & DÓLAR BUQ:
seremos eternamente vizinhos:
a guerra vai saltando (de terra em terra). não ter 1 dólar, dólar buq para comprares uma dietcola na noite sintrense do teu livro tamarindo de tetramor! não teres dólar, mas falares a seco, pois, sobre vocábulos que se soltam e transformam em seres, enquanto à porta-madrugada do 2 ao quadrado, o camião do lixo [descomunal]... encena hamlet na mansão do poço iniciático e ouve, interpela o homem do lixo sobre [a crise mundial].
desde 1999 que não acontecia um momento estético performático em sintra - tão flashante. A presente ex-posição verista pop de andré & vanessa muscolino parte no fim para a única cidade portuguesa que ama a arte e os artistas, sim cerveira. o papa procurou à tarde a capela em ruínas da senhora do ó, passou com claridade o regueiro da pernigem, regressou à «barra mansa» era tarde, tardinha, o último autocarro partiu sem ele... mas o sonógrafo veio do [2] para o levar, a ele, o papa, segundo dólar buq, antes da sessão começar [...mons lunae vigia d’além...].
tu e alex são syd para mim
as cartas queimadas pelo preto, poeta, perneta eram afinal dirigidas a [till] no único encontro preparatório da jam de psicadelismo tropical, comparável em xentra [...desde 1999....] unicamente à densidade estética a-presentada por sintoniclab na inauguração do doiséme: a sua música das sílabas, a sonoridade das palavras como água de papel, como água de papel, warinaia. ela como tu são eternos vizinhos da poesia em sintra. tu fizeste a ligação! que diz:
syd é hölderlin no séc. 20... metade da vida louco?louco?!
hammond blues escreve-te na alma, sim: a l m a: eis o homem encurvado, ou agachado sob o vento. acho que era manzarek, não rosa barrete britão, mas síncope mississipiana (a música que se ouve) de algum pensador tchokwe exilado. soa como o nome-dor de christmas joe, mississipi de faulkner; por que não ter nome de branco, dólar buq? perguntará no quarto de hotel de memphis onde a mulher do reverendo se suicidou. cordas sinoidais são estas reliquías do rosa passado (a música que se ouve) na casa do jogral – a noite em fontanelas agora... mas são anjos! como cocteau para a schwebebahn em wuppertal... é o leão sem rosto, o gorila com head all mad about you. O tamarindo desfaz-se na boca, enquanto uma malha básica de rock:
- benvindos – co-opta o jogral. claridade encosta o seu cabelo dourado à janela, espera o destino nas intuições dos ventos. um desfazamento [puramente intuitivo] de um quarto de tempo na casa do encenador-jogral, como o desfazamento económico de um dólar branco para a tua dietcola, dólar buq! [sempre era a tua noite, ó poeta, preto, perneta].
george till, 26 de Julho de 2006
domingo, julho 30, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:

Quarta-feira, dia 2 de Agosto, os Meninos da Avó recebem a visita de Ricardo Rodrigues.
Bitcho Bravo – obra agora editada pela D. Quixote, integrado na colecção “Cadernos de Reportagem” – é a primeira obra de Ricardo Rodrigues. A história foi publicada, na Primavera de 2005, na revista Notícias Magazine, sob a forma de reportagem, na sequência da qual a D. Quixote convidou Ricardo Rodrigues para escrever esta obra que conta também com fotografias de Jordi Burch.
Bitcho Bravo fala-nos de uma batalha silenciosa entre homens e lobos no Barroso transmontano. Nessa região isolada, onde as alcateias conseguem sobreviver e a os hábitos da população pouco mudaram nos últimos séculos, o animal tem fama de maldito e é protagonista de narrativas arrepiantes. Quando, há dez anos, um biólogo lisboeta chegou a Montalegre para ir estudar os “bitchos bravos” - como são chamados no dialecto barrosão – não fazia ideia de que iria encontrar tamanho ódio ao lobo, perpetuado ao longo de gerações e gerações. Mas isso não o deteve: à medida que ia aprofundando os estudos, conseguia manter conversas de horas com os bichos, brincar com as crias, fazer festas aos adultos. Ao fim de uma década no meio dos animais, tornou-se membro de pleno direito da alcateia. Foi assim que Francisco Álvares se transformou em Chico dos Lobos.
“A maldição sente-se por toda a região do Barroso, no lado transmontano do Gerês. É, afinal, uma terra de esquecidos, onde o lobo ainda consegue resistir. Aqui, aprende-se desde a infância que o ‘bitcho bravo’ tem poderes sobrenaturais e é amigo do diabo. Faz-se-lhe caça. Lobo peludo não pode por isso confiar em lobo calvo, o animal que se levanta em duas patas e mata tudo o que encontra pela frente. Mas todas as guerras têm os seus dissidentes e, neste caso, ele chama-se Chico dos Lobos. Esse que passa noites na serra a falar com as alcateias.”
Ricardo Rodrigues nasceu em 1976 e vive em Lisboa. Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa, iniciou a sua actividade profissional em 1998, na RTP. Integrou a equipa fundadora da revista Focus, onde trabalhou nas editorias de Cultura, Sociedade, Internacional e Reportagem. Publicou na edição francesa do semanário Courrier International e colaborou com o The History Channel. Está, desde 2004, na revista Notícias Magazine, onde recentemente (já em 2006), viu a sua reportagem Os Pretos de Onor galardoada com uma menção honrosa do prémio de jornalismo A Família na Comunicação Social.
3ª SESSÃO ESPECIAL:
Esta sessão decorreu no bar 2 ao quadrado situado ao pé da estação dos comboios de Sintra e consistiu numa performance feita pelo jogral Rui Mário e pelo sonográfo Pedro Hilário (pertencentes ao grupo de teatro Tapa-Furos) invocando a poesia de Dólar Buq, esteve igualmente presente a poetisa Manuela Sousa Lobo que nos deu a conhecer outros aspectos e facetas do poeta.
Num ambiente muito descontraído e criativo duas frases perduram e marcaram esta sessão:
Parece que voltamos as míticas sessões da Casa da Avó
Estamos perante um piscadelismo tropical!!!
De seguida fica o inicio do livro apresentado na sessão: Tamarindo – livro de tetramor-
Dedicação
A leste de Kiloa, em Maio de 2000
Férias num farol, alto mar, ao largo da foz do porto, rio Rovuma.
O faroleiro é cego y meu amigo, deu-me corais y um boião mussiro.
Sento-me nas povoadas pedras. Pensamentos são ovos, lhes levo à cabeça,
Cada vez, em cestas atadas com laços. Percorro alagadas lezírias.
- Oiço asas, malaikas nos visitam – sorri o meu amigo.
- Vou partir em filmagem – digo eu – tender is the night in Tanzânia, preciso de inventar. Farei um fio de vozes em três tons: navy, magenta y âmbar.
Lanço as linhas:
·para as 4 mulheres que não tive (embora Alah y o meu desejo as
permitissem)
·para Santa Maria de Cádis, actriz divina y andaluza baía, canatdo
também Pemba, Delagoa y tantas mais (com Rafael Alberti, a quem
tomei o tonto pulso no que escrevo)
·para 2000 y os 25 anos de Moçambique, terra banto (de arábico
nome, indiano mar y lusa língua), que me nasceu aljamiado
·para Catini y Comucomo (música extinta pelo titã Roc das sucessivas
colónias), minha Homenagem.
À ternura tutelar do celacanto
(seus olhos nos ignoram hà oitenta milhões
de anos, saibam os nossos igualmente preservá-lo).
Aqui termina meu álife-bá, prefácio do palavrar que segue.
Salahm
Alberto
P.S. – Cuidado, esta leitura é capaz de entristecer.

Perfomance de Rui Mário
quarta-feira, julho 26, 2006
FEIRA AO LARGO

No Largo da Igreja Matriz de Colares (Largo Dr. Carlos França)
Face à importância histórica e à situação privilegiada do núcleo antigo da Vila de Colares a Junta de Freguesia de Colares com o apoio da Câmara Municipal de Sintra (Divisão de Animação Cultural) vão realizar uma feira multifacetada no Largo da Igreja Matriz desta Vila no último sábado dos meses de Junho a Outubro (inclusive) e no período das 11.00 às 22 horas. Assim, as datas da realização deste evento serão- 29 de Julho- 30 de Setembro- 28 de Outubro
Esta feira, consistirá na exposição e venda de- objectos antigos de colecção- livros temáticos antigos e contemporâneos e a representação da Livraria Municipal de Sintra- artesanato contemporâneo de autor ( brinquedos / marionetas / vestuário / objectos enquadrados na linguagem antropológica da região / entre outros )- produtos de agricultura biológicos desta e de outras regiões- vinhos da região, representados pela Adega Regional de Colares e outros produtores
No decorrer do evento e cerca das 19.00 h ocorrerão momentos musicais a cargo de agrupamentos do Concelho.
GRUPO de SOPRO 1ºTEMPO da Sociedade Filarmónica e Recreativa de Pero Pinheiro
Entre outros grupos/associações (Alagamares, Associação Agostinho da Silva) os Meninos da Avó também marcaram presença na Feira. Estaremos a apresentar autores que passaram pelas nossas sessões, as nossas actividades e projectos e contaremos da parte da parte com a presença do poeta Fernando Grade! Mais uma oportunidade de conhecer pessoalmente e a poesia deste autêntico Menino da Avô!
quinta-feira, julho 20, 2006
SESSÃO EXTRAORDINÁRIA:
Sessão Extra dos Meninos da Avó no Dois ao Quadrado (Antigo Pielas, junto à Estação de Sintra)
Às 20 horas jantamos e depois do jantar, aí pelas 21h30, teremos a:
apresentação da escrita de Manuela Sousa Lobo e de Dólar Buq, autor moçambicano – poeta, preto e perneta, o homem dos três pês – por si representado em Sintra:
A sessão será imprevisivelmente abrilhantada pelo jogral Rui Mário e pelo sonógrafo Pedro Hilário.
Eis um excerto da sua última obra editada em Portugal:
Tamarindo
- livro de tetramor -
em meu único tornozelo
aceitei a maluata de cativo
seu tilintar
me encanta
recupero
assim
a voz
enterrada no anterior de um Ibo
maldito
que um canito preto y branco
fareja
estou cada vez mais mulato
deliro em transparências
me alforrio
em vós
ACTIVIDADES:
Dia 6 de Agosto
Ninho de piratas e corsários, reserva ambiental, santuário de aves, paraíso natural. Tudo isto coexiste na Reserva Natural das Berlengas. A ALAGAMARES realiza este ano o seu passeio de Verão visitando estas ilhas, em jornada a realizar dia 6 de Agosto próximo. Com partida e chegada a Galamares, Caves de S. Martinho (partida às 7h; chegada às 22h30) far-se-á passeio de barco, visita ao Forte de S. João Baptista e visita ambiental guiada. Almoço com tudo incluído na Berlenga. Possibilidade de praia e visita às grutas
Música e bom ambiente, para retemperar foças e conviver, eis a nossa opção deste ano, depois da memorável jornada na Arrábida com os golfinhos em 2005. Antes do embarque será efectuada visita ao Forte de Peniche, que acolhe o Museu local e as celas onde estiveram presos políticos nos anos 50 e 60, nomeadamente Álvaro Cunhal e outros opositores ao regime do Estado Novo.
Reservas para o info@alagamares.net ou 918626893
Mis informações em: www.alagamares.net
Preços: Associados-50 euros; Não-Associados 60 euros; Crianças até 12 anos-45 euros
SINTRA INTERNATIONAL SINGING AND CHORAL CONDUCTING COURSE
Ensembles
17,18 e 20 de Julho
15h00- 16h00 Quinta da Regaleira
Concerto
20 de Julho
18h00 Quinta da Regaleira
Concerto
22 de Julho
21h30m Igreja de S.Martinho Sintra
SESSÃO DE 19/07/2006
A sessão incidiu sobre a exposição que actualmente está patente na Quinta da Regaleira "Luigi Manini - Imaginário e método. A concepção da Regaleira cem anos depois".
Luigi Manini foi o arquitecto responsável por toda a concepção arquitectónica dos vários edifícios, jardins e detalhes curiosos (poço iniciático o poço imperfeito) que constituem a Quinta da Regaleira.
Tem um percurso bastante curioso já que só em Portugal é que exerceu funções como arquitecto!
Nascido em 1848, estudou com o grande Carlo Ferrario em Milão, no teatro “La Scala”, tendo conseguido um lugar de cenógrafo no então recente Teatro de “S.Carlos” em Lisboa em 1879. Fora dos palcos dedicou-se também à arquitectura, trabalhando no nosso país para famílias poderosas e endinheiradas que apostavam em edifícios exuberantes ao estilo dominante da época, bem como nos interiores de diversos edifícios públicos, a relação mais marcante foi a com Carvalho Monteiro proprietário da Regaleira.
Das suas obras arquitectónicas, destacam-se o interior do Teatro do Funchal, o tecto do teatro de S.João, no Porto ou o jardim de Inverno do extinto Teatro D.Amélia, em Lisboa. A nível de fachadas e grandes obras destacam-se o Palácio da Cidadela, em Cascais, o pavilhão português na Exposição Universal de 1900, em Paris, o Palácio do Buçaco e a quinta da Regaleira, tudo obras marcadamente dum manuelino tardio e já em desuso quando as correntes do funcionalismo do século XX emergiam. Em 1913 voltou a Itália, onde morreu, em 1936,em Bréscia.
Esta exposição é o resultado de uma investigação de 3 anos feita pela CulturSintra e vem ajudar a compreender a complexidade e cumplicidade que existiu entre o proprietário da Quinta (Carvalho Monteiro) e o arquitecto responsável pela sua construção (Manini), vão decorrer mais actividades relacionadas com a exposição ás quais visam desmistificar certas ideias. Manteremos no blog informação actualizada dessas actividades.
segunda-feira, julho 17, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:
Em vez do planeado iremos contar com a presença do arquitecto João Cruz Alves que irá apresentar a exposição e respectivo catálogo: "Luigi Manini - Imaginário e método. A concepção da Regaleira cem anos depois".
Como o título indicia esta é uma exposição dedicada ao arquitecto responsável pelo projecto da Quinta da Regaleira (e de outros edifícios emblemáticos de Sintra). Teremos assim uma sessão muito voltada para "dentro" onde abrimos um novo horizonte de interesses: a arquitectura.
A POESIA ESTÀ NA RUA. NÃO PISAR.
sexta-feira, julho 14, 2006
O ESPÍRITO DA LUA:

Brevemente em Sintra!
Receita para "O Espírito da Lua":
Às inesperadas noites de verão em Sintra adiciona-se o velho jogo do teatro com ordem para surpreender e divertir e meter o público ao barulho.
Juntam-se velhas histórias e muitos episódios lendários da fantasiosa Vila de Sintra, Património da Humanidade. Faça-se uma aliança com O Espírito da Lua e no final é só trocar as voltas ao relógio na torre.
Logo se anuncia o mercado do Chão de Oliva frente ao Palácio Real.
As Damas da Corte preparam banquetes quase alquímicos.
Camões tenta a sua sorte com o Rei D. Sebastião.
Lord Byron é mais que um fantasma nas ruas.
A Condessa de Edla passeia com D. Fernando em traje de pajem do S. Carlos.
Nas escadarias do Palácio escavam-se tesouros de Templários e organizam-se romarias à Peninha, lá no alto da Serra.
Sempre bem perto da Lua.
Co-produção Utopia Teatro / Byfurcação
Apoio: Câmara Municipal de Sintra
segunda-feira, julho 10, 2006
PEÇA:
Da vida? Da morte?
As peças movem-se, constante movimento que para algum lugar vai, só não sabemos onde...
A verdade de fazermos parte de um banquete, só não sabemos qual a parte...
O príncipe amaldiçoa o momento em que sabe que nasceu para endireitar as coisas. Coragem? Destino?
O jogo apenas se iniciou, o tabuleiro tem o tamanho do mundo, pequena peça do tamanho da vida. Joga-se. O resultado é invariável: volta-se ao jogo, uma e outra vez.
Hamlet é o teatro que encenamos debaixo do céu, há séculos e séculos. Mais uma vez, mais um eterno jogo que jamais terminará. Convidamos pois o nosso público a juntar-se à partida, sendo peça, mais uma, para podermos jogar pela noite fora... Somos peça nesta noite sintrense, única no mundo, irrepetível em sonhos, em perguntas, em mistério. Somos ou não somos? Eis a questão. Sem xeque-mate.»
Rui Mário
Estreou dia 6 de Julho a peça "Hamlet" do grupo de teatro "TapaFuros", a peça é representada na Quinta da Regaleira em Sintra.
O horário da peça é: quinta a sábado: 22h e aos domingos: 20h.
A peça estará em apresentação até dia 9 de Setembro.
Mais informaçoes: www.tapafuros.com
2ª OFICINA DE INICIAÇÃO AO TEATRO:
Quantos de nós não têm essa curiosidade?
Sabia que muitos dos ensinamentos do teatro tem aplicação directa do nosso dia-a-dia?
A Alagamares através da 2ª Oficina de Iniciação de Teatro pretende abrir caminhos... tanto para aqueles que desejam seguir a carreira de actores, como para aqueles que prentendam aprender e experimentar esta arte.
As aulas de Rui Mário, actor e Director da Companhia de Teatro Profissional "Tapafuros" consistem na aprendizagem de exercícios prévios que são aplicados na arte de performar e na arte da vida!
Venha descobrir isto e muito mais na nossa Oficina! Participando!!!
A realizar-se no Sport União Colarense em Colares de 12 de Julho a 30 de Julho, todas as 4ª feiras das 20H00 às 22H30 e domingos das 15H00 às 17H30.
Inscrições até 11 de Julho através do info@alagamares.net.
P
reços por pessoa: sócios e estudantes 50,00EUR / não sócios 60,00EUR.
ALAGAMARES - ASSOCIAÇÃO CULTURAL Caves de S. Martinho, Av. 25 de Abril, n.º 133 2710-250 Galamares - Sintra
Portal: www.alagamares.net,
Fórum: forum.alagamares.net
Blogue: blogue.alagamares.net
domingo, julho 02, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:
E FORÇA PORTUGAL!!!
sábado, julho 01, 2006
I ENCONTRO DE ALTERNATIVAS EM SINTRA:
"I Encontro deAlternativas em Sintra", no jardim da Biblioteca Municipal de Sintra, Casa Mantero, junto ao Jardim da Correnteza.
Este evento é composto por diversas áreas:
Musica, teatro, animação e poesia
Artesanato e ateliersTerapias alternativas e praticas de desenvolvimento humano
Palestras e exposiçõesProdutos biológicos e cozinha vegetariana
Homenagem e celebração do Centenário do Professor Agostinho da Silva
O horário será o seguinte: Sexta, dia 29 15H00/24H00
Sábado, dia 30 10H00/24H00
Domingo, dia 1 10H00/22H00
As inscrições são até ao dia 16 de Junho (a inscrição é gratuita).
Organização:Voando em Cynthia - informações: 96 372 14 25 (Tila Barracosa)
Apoios:Câmara Municipal de Sintra
Biblioteca Municipal de Sintra
Junta de Turismo da Costa do Sol
quinta-feira, junho 29, 2006
SESSÃO ESPECIAL:
Esta sessão consistiu na divulgação do espectáculo de dia 30 de Junho do Sintra Estúdio de Ópera, tivemos uma apresentação desta associação que vai promovendo e apresentado muitas vezes obras inéditas de compositores portugueses.
O próximo concerto vai ser composto pela interpretação de obras de José Cláudio de Almeida e Marcos de Portugal.
Sobre este segundo compositor esteve presente o musicólogo António Jorge Marques cuja tese de doutoramento incide precisamente sobre a vida e obra de Marcos de Portugal!
Ficamos a conhecer este compositor tão desconhecido e esquecido ao longo da História. Ainda hoje existem uma série mistificações e incorrecções biográficas que são retratadas no trabalho de António Jorge Marques. Bastante influenciado pela sua estadia e estudos em Itália, este compositor foi no seu tempo o mais importante do reino merecendo sempre uma protecção e atenção dos reis de Portugal com quem colaborou sempre de perto.
Ficou o convite e a esperança de podermos estreitar mais a nossa ligação com estes convidados e de no futuro darmos mais informações do seus trabalhos.
quinta-feira, junho 22, 2006
SESSÃO ESPECIAL:

"Marcos Portugal Património Musical de Sintra"
A titulo do próximo concerto do Sintra Estúdio de Ópera, baseado na Obra Sacra de Marcos Portugal, a tertúlia poética "Meninos da Avó" em colaboração com a Alagamares Associação Cultural, convida para um encontro onde António Jorge Marques, o mais proeminente especialista na Obra Sacra de Marcos Portugal fará uma palestra sobre a sua Obra e em especial para as estreia das "Matinas".
>> Quarta-Feira 28 de Junho pelas 21h30 - Restaurante "Regalo da Gula" na Quinta da Regaleira - Sintra
Esta conferência servirá de promoção para um Concerto do Sintra Estúdio de Ópera & Solistas da Orquestra de Cãmara de Sintra, no próximo dia 30 de Junho pelas 21h30 na Igreja de São Martinho em Sintra no âmbito do Festival de Sintra.
O Programa a apresentar é constituido por três obras compostas no ínicio do séc.XIX para a Igreja de Sintra, nomeadamente uma Missa e um Te Deum datados de 1814 e da autoria de José Claudio de Almeida para a Igreja de Santa Maria e umas Matinas da Conceição, escritas em 1802, para a Real Capela de Queluz, por Marcos Portugal.
Este concerto reveste-se de uma grande importância histórica, pois trata-se da recuperação e reabilitação do Património Musical de Sintra.
>> A Entrada é Livre, mediante prévio levantamento de bilhetes no Olga de Cadaval ou no local no próprio dia do Concerto ."
SESSÃO DE DIA 22/06/2006:
Este fascinante romance está dividido em vários espaços temporais, fazendo um percurso pelos momentos mais marcantes do século XX chegando até à actualidade, mostra-nos momentos como a segunda guerra mundial passada em Paris, um dos primeiros divórcios em Portugal no tempo da ditadura e uma curiosa incidência na vida e obra do matemático Pedro Nunes!
Um romance baseado em personagens e factos reais mas ficcionados pela e unidos pela autora. Depois da apresentação a vontade de ler este romance cresceu em todos os presentes.
segunda-feira, junho 12, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:
Esta autora residente em Sintra publicou recentemente o romance “A Duração dos Crepúsculos”, ilustrado com os inconfundíveis desenhos de outra sintrense, Maria José Ferreira.
Este livro publicado pela D.Quixote, desperta no leitor um gosto nascido do cruzamento simultâneo entre os sentimentos de harmonia e melancolia.
É uma obra complexa e intrigante que se passa em três espaços geométricos temporais diferentes, apresenta um elevado número de personagens.
Para melhor compreender a construção desta obra contaremos com a presença não só da autora e da ilustradora assim como do escritor Miguel Real de quem nos vamos socorrer da sua acutilância e experiência na análise literária.
A POESIA ESTÀ NA RUA. NÂO PISAR
sexta-feira, junho 09, 2006
SESSÃO DO DIA 07/06/2006:
Tivemos o prazer de ter igualmente como convidados dois jograis que fizeram uma leitura teatrilizada e muito interessante de alguns trechos do último romance do escritor ("Ambulância").
A introdução e contextualização da obra do autor foi feita por Jorge Menezes e Miguel Real, depois da leitura dos jograis tivemos uma pequena introdução na vivência do autor ao longo dos tempos: desde os tempos em que esteve em França até ao seu regresso a Portugal, sempre pontuada com pequenas histórias cheias de humor e peripécias!
Em seguida fica o texto escrito por Jorge Telles de Menezes acerca do último romance do escritor Manuel da Silva Ramos:
UMA «AMBULÂNCIA» COM URGÊNCIA PARA PORTUGAL!
DO ROMANCE DE MANUEL DA SILVA RAMOS
A última obra do escritor Manuel da Silva Ramos, «Ambulância», é uma reportagem poética profunda sobre o Portugal coevo, uma inquirição sociológica à realidade que somos hoje, acabados que estão todos os impérios e afastado, parece, o fantasma do autoritarismo das mentalidades e costumes pela crescente internacionalização da economia, da política e dos padrões de vida.
Este é um Portugal desajeitado ainda no seu papel de país «civilizado» pareando com os países reformados do Norte, um novo-rico envergonhado do seu passado pobretana e que à boa maneira do Sul afirma a sua identidade pela competição nos sinais exteriores de riqueza. Este Portugal-Cherne, alegoria ao conhecido político mundanamente célebre por suas férias como convidado de milionários, continua subdesenvolvido na pobreza de muitos dos seus velhos, excluídos, desempregados, mas sobretudo na desumanidade a que vota os seus mais fracos e deficientes, tão bem personificados no destino de Carlitos.
Na nova ordem internacional, contudo, os salários dos trolhas portugueses, dos empregados do comércio, mas também os rendimentos de comerciantes ou profissionais qualificados chegam para alimentar os prostíbulos de meninas brasileiras que enxameiam o interior do país neste retrato impiedoso e verosímil de uma paisagem social que atravessa um processo de inquietantes transformações.
O caso da morte de Carlitos, um jovem portador de deficiência, mas doce e amigo de todos, às mãos da sua mãe, constitui-se como a parábola estruturante do livro, o núcleo narrativo em torno do qual gira a investigação do narrador ao nosso modus vivendis actual. Sua mãe é uma mulher brutalizada pela vida, pela nossa vida, uma vítima da falta de apoio e de solidariedade de uma sociedade que parece adormecida, hipnotizada e bloqueada por esta democracia que num plano social se revela completamente impotente para re-humanizar os portugueses. Embora pintada com cores muito cruas e violentas sentimos que por trás desta mulher e do seu comportamento esvaziado de valores morais está toda uma sociedade. Ela não é culpada, todos nós o somos, se tivermos que encontrar um bode expiatório.
O Portugal por trás de Carlitos e de sua mãe é ainda o do obscurantismo religioso e da superstição tão escandalosamente explorada por santinhas milagreiras, mas que também encontra forças nalgumas das suas tradições, como na festa do bacalhau em Alenquer, para ser iconoclasta, crítico e satírico retomando a veia de um espírito que se exprimia livremente na nossa Idade Média. A crítica de uma vida quotidiana dessacralizada, grosseiramente materialista, violenta e desumana, num país onde até os «inocentes são impuros» é feita a partir da perspectiva europeia do narrador; o alter ego com quem dialogamos é essa Europa rica onde afinal acabámos por não nos integrar, à qual só aparentemente pertencemos. Onde ficará o nosso centro? Este livro é com certeza um desafio para que meditemos sobre o que andamos para aqui a fazer, neste Portugal hodierno tão falho de coesão social, tão ignorante e jactanciosamente novo-rico.
Mas para além dos desafios que «Ambulância» coloca à nossa identidade, não devemos alhear-nos da impressionante densidade estética que este livro carrega. Quem gostar de ler a sério os nossos escritores encontrará aqui deleites estilísticos inesperados e refrescantes, uma sintaxe desenvolta e original, uma linguagem desculpabilizada e fracamente policiada que corre livre e directa para o que quer dizer e encontra ao fim a emotividade do leitor rendido à plasticidade da sua expressão. Pelo intenso e rigoroso elaboramento da palavra «Ambulância» é também um livro que se insere na tradição dos nossos grandes textos literários, e que pelo seu profundo sarcasmo e modernidade faz ressoar no leitor não só a tradição portuguesa do escárnio mas também aquela agudeza de espírito e verve tão características dos melhores escritores irlandeses, e pensamos muito concretamente em James Joyce. Muitas outras associações à tradição do espírito crítico europeu são também possíveis e certamente que o leitor as encontrará nesta «Ambulância» de que Portugal precisa com tanta urgência.
Jorge Telles de Menezes
terça-feira, junho 06, 2006
LANÇAMENTOS:
No dia 8 de Junho é apresentado o livro "1755 - O GRANDE TERRAMOTO", de Filomena Oliveira e Miguel Real. A apresentação será feita pelo Dr. António Braz Teixeira, inicia-se às 18h30m e decorre no salão Nobre do Teatro Nacional D. Maria II.
No dia 10 de Junho pelas 17h decorrerá a sessão de lançamento do livro "Actualidade d’ Os Lusíadas" de Helena Langrouva, a obra será apresentada pelo historiador José Eduardo Franco. O local do lançamento é o foyer da Feira do Livro de Lisboa.
sexta-feira, junho 02, 2006
APRESENTÃO DO LIVRO "ERA CRISTOVÃO COLÓN (COLOMBO) PORTUGUÊS?".

Alagamares e a tertúlia literária Meninos da Avó levaram a cabo dia 31 de Maio, na Quinta da Regaleira, uma sessão de apresentação do livro de Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva "Era Cristovão Colón (Colombo) português?".
Emigrantes nos EUA há mais de 60 anos, mas portugueses arreigados a um conceito de portugalidade própria de quem a mais sente quanto maior é a distância do rincão pátrio, esta obra, fruto de investigações em vários países da Europa e nos Estados Unidos, reitera a tese, cada vez mais consistente, de que Cristovão Colón era um judeu de ascendência alentejana, envolvido nas lutas de corte por vezes fraticidas do tempo de D. João II.
Fluente no texto, profundo na abordagem científica da tese, esta obra é uma profunda pesquisa na noite da História dos Descobrimentos e seus mistérios, produto dum olhar científico e metódico e não de qualquer patrioteirismo bacoco de exaltação.
Português da diáspora, este enérgico escritor fruto do ecumenismo e do ser português naquilo que hoje tal possa significar numa época de globalização unidimensional, representa uma lufada de refrescamento na normalmente pacata e engajada "inteligentsia" portuguesa, e trás à memória os cronistas de antanho, na sua escrita escorreita e absorvente.
Leiam este Colón português e descubram que tudo o que julgamos saber ainda está no patamar da dúvida e da especulação. Foi pois um fim de tarde mágico naquela Regaleira sobranceira aos Castelos onde se viu e ouviu essencialmente algo que cada vez mais rareia: um Português

Uma nota de destaque para a nossa amiga Teresa Ricaro cujo dinamismo e espírito de iniciativa tornou este acontecimento possível!
terça-feira, maio 30, 2006
SESSÃO EXTRAORDINÁRIA:

Anuncia-se que nesta quarta (dia 31 de Maio), vamos ter uma sessão especial, aproveitando a presença na Feira do Livro de Lisboa, contamos com a presença do escritor: Manuel Luciano da Silva. Este autor vem apresentar o livro "Cristovão Colon (Colombo) era Português".
A sessão decorre num horário diferente do habitual já que a sessão inicia-se às 18 horas, seguindo depois o habitual jantar.
Esta sessão é feita em parceria com a associação Alagamares, segue-se uma breve apresentação do livro e dos autores:
Sobre o livro:
Pela informação extraordinária que contém ou pelas interpretações originais dos vários monumentos históricos que apresenta, será difícil a qualquer leitor ficar diferente a este livro
Usando uma linguagem clara e objectiva, acessível a qualquer leitor, nem por isso os autores deixam de se exprimir com garra, veemêcia, firmeza e convicção.
(nota do editor)
Os autores:
Casal de emigrantes portugueses nos Estados Unidos da América, Manuel Luciano da Silva, médico, desembarcou em Nova Iorque a 26 de Janeiro de 1946. Sílivia Neto Tavares Jorge da Silva, professora, chegou a Boston, Massachusetts, a 11 de Abril de 1961.
Desde 1963 têm vivido com a sua família em Bristol, estado de Rhode Island, Nova Inglaterra, local que pode ser considerado o epicentro de todos os lugares históricos desta região relacionados com o descobrimento e a colonização portuguesa nestas paragens.
Ao londo de mais cinco décadas, Manuel Luciano da Silva tem investigado a história das inscrições da Pedra de Dighton, gravadas por Miguel Corte Real, em 1511.
Demonstrou, com pesquisas originais, que a primeira colónia europeia na Nova Inglaterra foi portuguesa.
Agora, com este "Cristovão Colon (Colombo) era Português" , os autores divulgam o resultado dos seus mais recentes estudos e pesquisas, fruto de múltiplas análises, efectuadas nos locais históricos e não sentados nas bibliotecas ou feitos a distâncias de mais de três mil milhas..."
Agradecimentos a Marina Emanuel de Lemos Ricardo e a João Emanuel Moniz por tornarem esta Tertúlia Literária possível.
sábado, maio 27, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:
Segue-se uma nota bio e bibliográfica do autor: Manuel da Silva Ramos nasceu em 1947, na Covilhã, onde fez os seus estudos liceais. Estudou Direito em Lisboa mas ao fim de quatro anos abandona a universidade e o país e exila-se em França para fugir ao fascismo. Aos 21 anos ganha o Prémio de Novelística Almeida Garrett de 1968, instituído pela Editorial Inova e Portugália Editora, com Os Três Seios de Novélia. Publica três livros em parceria com Alface: Os Lusíadas (1977), As Noites Brancas do Papa Negro (1982) e Beijinhos (1996). Volta definitivamente a Portugal em 1997 depois de ter ganho uma Bolsa de Criação Literária atribuída pelo Ministério da Cultura. Em 1999 publica Portugal, e o Futuro?, O Tanatoperador, Adeusamália e Coisas do Vinho, com ilustrações de Zé Dalmeida. Em 2000, depois de uma viagem de investigação a Moçambique, publica o seu romance mais ambicioso Viagem com Branco no Bolso. Em 2001, depois de ter ganho uma outra Bolsa de Criação Literária, instala-se durante três meses em Praga, na República Checa, onde escreve Jesus, The Last Adventure of Franz Kafka, publicado em 2002. Em 2003, realiza uma factoficção sobre a sua cidade natal e o mundo dos têxteis: Café Montalto. Tem numerosos inéditos e a sua ficção, como disse um dia Ernesto Sampaio, é uma brisa fresca na literatura portuguesa.
Sobre «Ambulância» escreveu Miguel Real: «Puro O’Neill em prosa, Ambulância corresponde à irrupção actual da veia satírica que tem alimentado a literatura portuguesa desde a sua origem, com as Cantigas de Escárnio e Maldizer e algum teatro de Gil Vicente, corrente abafada pelo espírito da Contra-Reforma entre as segundas metades dos séculos XVI e XVIII, ressuscitada por Bocage, Cruz e Silva, Nicolau Tolentino e Agostinho de Macedo, majestosamente praticada por Eça de Queiroz no século XIX, e, no século XX, cultivada com mestria por Almada Negreiros, Natália Correia, Alexandre O’Neill e Luís Pacheco. Alguns textos de Rui Zink e, principalmente, dois livrinhos de Sérgio Almeida, Análise Epistemológica da Treta (2003) e Armai-vos Uns aos Outros (2004) (Quasi Editores), tentaram, já no século XXI, prestar actual legitimidade ao romance satírico como modo crítico e mordaz de denúncia social. Superior em qualidade, é, no entanto, em Ambulância que a vertente satírica do romance português, confluindo com a tradição portuguesa da graça jocosa, a frase curta ao modo do epigrama faceto, o refrão trocista, a repetição pela semelhança fonética ao modo surrealista, o entremez escarnecedor e acutilante, numa palavra, o universo literário da farsa e da sátira se revê hoje como arma de arremesso contra os poderosos do mundo da política, do futebol, da Igreja e da construção civil.»
quinta-feira, maio 18, 2006
SESSÃO DE DIA 17/05/2006:
Evocaram e leram-se textos de vários autores, mas um destacou-se! um manifesto enviado pelo amigo e companheiro António Naud Júnior, reproduzimos esse manifesto em seguida como forma de matar saudades!
MANIFESTO: Arte, Poesia & Vida
Os homens esqueceram-se do seu dever de pensar.
Nós, poetas do mundo, dizemos "Basta!" e falamos ainda dos "lobos".
"Basta": uma das mais belas palavras poéticas pronunciadas ou ainda possíveis de pronunciar.
"Lobos". Nós poetas, nós somos "lobos"; organizamo-nos como os lobos e não como o homem, enquanto lobo do homem.
Os lobos foram perseguidos, cercados e falsamente acusados de serem insaciáveis, pérfidos, demasiado agressivos e, em particular, serem menos respeitosos que os seus detratores. Eles foram o alvo dos que desejavam não só limpar a selva mais ainda queriam eliminar o território mais selvagem do psiquismo, neutralizando o intuitivo até o ponto de não deixar rastro algum. A depredação exercida contra os lobos por aqueles que não os compreendem é espantosa.
Nós, poetas do mundo, somos lobos, defensores deste "território selvagem" e sublime que ainda felizmente existe, escondido na sombra desta vida feita à imagem do "Deus Mercado".
Nós, poetas do mundo, uivamos alto e em bom som que a Poesia é antagonista, crítica, rebelde e subversiva por natureza. Que a poesia destrói e se destrói num só movimento.Que ela cria e recria permanentemente o mundo. Nós dizemos, tal como os surrealistas, que a Poesia é uma liberdade absoluta. Ela é imaginação. Num grito de anjos, nós uivamos que a Poesia é um sistema luminoso de sinais.
Após o nosso "Basta!", os nossos sinais, a nossa tentativa de asas:
1. "Eis o tempo dos assassinos!", escreveu Rimbaud. Esse tempo perdura até hoje, impôe-se mais que nunca e, finalmente, parece ter ganho para sempre raízes em toda a Terra;
2. Nós, poetas do mundo, erguemo-nos contra esse "Tempo dos Assassinos", como sempre fez a Poesia, desde o nascimento do primeiro verso feito pelo primeiro ser humano e desde a primeira marca deixada pelo primeiro ser humano na primeira caverna;
3. Nós, poetas do século XXI, decidimos lutar, através das nossas palavras, contra os Assassinos da beleza lúdica
4. A Ilíada e a Odisséia eram poemas tão belos quanto populares. Nesses tempos longínquos não havia nenhuma diferença entre os gregos, ou os seus predecessores, e os seus poetas. A Grécia foi antes de tudo Poesia e só mais tarde Filosofia. E a Poesia, durante séculos, foi transmitida de boca em boca (e assim nasceu a tradição oral), e discutia-se filosofia em plena praça pública, no mercado - em miniatura, pois era só um mercado de ovos e de galinhas. Germinou assim a dialética, a discussão razoável, hoje tão repreendida.
5. O positivismo, o pragmatismo e a Razão Técnica espoliaram os seres humanos da sua ferramenta principal, a possibilidade de dizer "Não", de criticar, de contradizer. Eles espoliaram-no da sua "negatividade", atributo humano por excelência, exceção que justamente nos diferencia do resto das criaturas do universo. Eles aprisionaram a rebelião. Em suma, transformaram-no num "Sim" absoluto. Transformaram-nos em máquinas predispostas a consentir, a obedecer, a admitir o "consensos". Em reflexos condicionados. A Humanidade encontra-se à beira de um precipício cujo monstruoso fundo mal antevemos. "Basta!" rugimos, nós, os poetas do mundo.
7. Duas dimensões essenciais nos orientam (a do "Sim" e a do "Não"), mas só a primeira é permitida, pois insolente e quase que imperceptivelmente nos surrupiam a segunda.
8. Todavia, a Beleza, a Verdade e o Bem (valores supremos socráticos e de toda a filosofia que se lhe seguiu) não podem ser entendidos em toda a sua magnificência senão pela via do "Não". O "Não" nega a comodidade, a facilidade e a vulgaridade do instante imediato, os "fatos". O "Não" é o símbolo da liberdade.
9. Nós, poetas do mundo, seremos os Poetas do "Não", ou não seremos.
10. Para nós, a Beleza será convulsiva ou não será. Nem o amor, nem o erotismo nem a sexualidade nos são estranhos. Nem a Paixão do Absoluto. Nem aquilo que hoje se chamam as guerras. "Guerras", são o que se chama às agressões do Império contra os povos mais frágeis da Terra, por mais pequena que seja a sua riqueza que falta ainda pilhar, ou aqueles que têm uma posição estratégica, do ponto de vista da execução do sacrossanto trabalho de pilhagem dos povos que restam ainda relativamente indenes. A nós, poetas do mundo, elas não nos deixam indiferentes e perturbam-nos. Somos igualmente sensíveis à miséria "globalizada" que cresce regularmente, à hipocrisia dos também e cada vez mais globalizados "direitos dos homens" que são, na realidade, os "direitos dos dissolventes". "Direitos dos Homem". Eis uma esquisita associação de palavras. Palavra que temos o dever de defender contra toda a malícia, contra todo o contrabando que possa ocultar ou corromper a verdade.
11. Nós, os poetas do mundo, temos o dever de alumiar as auroras. O nosso ofício são as palavras e a nossa obrigação, em conjunto com os nossos camaradas criadores da ficção literária, é de desmascarar milhões de termos e de frases evidentemente falhas que nos "vendem" como se fossem verdadeiras. Temos igualmente horror aos restos das bandeiras negras dos piratas dos piratas do século XXI. Essas bandeiras não têm já as caveiras com dois ossos entrecruzados. Por um passe de magia, elas exibem agora as caras de jovens moças, fascinantes e bonitas. Caras essas com as quais nos tentam vender quer um veículo quer uma crença ingênua, sob o pretexto que o único interesse dos Assassinos Internacionais, multinacionais e nacionais é o nosso bem estar ou a preservação da Natureza, os nossos "direitos do homem" e a nossa benfeitora - ainda que por eles desprezada - Terra Mãe. Nós, os poetas do mundo, tomamos por exemplo o Cristo dos Evangelhos, e caminharemos ao lado dos Povos quando eles acordarem e gritarem "Basta!", lançando os mercadores para fora do Templo. O Templo do século XXI não se encontra em Jerusalém mas na própria Humanidade, aprisionada e espoliada como hera seca. "Basta!": chega de seres humanos condenados e condescendestes, apesar de condenados às trevas.
12. Nós, os poetas do mundo, voltaremos ao amor. Porque temos a certeza que não se vive mais "O Amor em tempos de Cólera", mas antes a cólera desprovida de todo o amor. E que por causa do sexo sem alma, nem vida, nem mancha que nos envolve - virtual, incolor, inodoro e insípido - Eros tornou-se num gesto puramente patético que esquece toda a transcendência. O desejo transpõe-se em objetos de consumo e consome-se neles. Renuncia às delícias da comunhão dos corpos, das almas e dos espíritos, e transforma o mundo numa sexualidade privada de todo o erotismo, com homens e mulheres entregues ao consumo da sua própria solidão. Nós dizemos "Basta!" a esta des-erotização do mundo em que cada "eu" é um nômade sem janela a partir da qual ninguém consegue comunicar com quem quer que seja. Nesta compra-e-venda "global" em que o amor se tornou também numa mercadoria, é preciso dizer que a chamada "Revolução Sexual" que nos devia libertar e trazer a Felicidade se metamorfoseou em "Revolução de Negócios".
13. Um mundo sem amor é um mundo sem poesia. Se John Donne, Castro Alves, Paul Eluard, Paul Celan, García Lorca ou Mário de Andrade ressuscitassem neste século eles não escreveriam senão poemas de magnificência pelo amor. Nós, os poetas do mundo, vivendo a mais dramática passagem entre dois séculos, erguemos os archotes e tentemos desesperadamente erotizar o mundo, a partir e com a nossa Poesia. A Beleza é o nosso dever.
14. E nós, poetas do mundo, estamos implicados na esperança, na luta celeste e na sementeira. Para um dia poder dizer: "Eis enfim o tempo dos que amam!”
Obrigado!
CONCERTO COMEMORATIVO DO CENTENÁRIO DE FERNANDO LOPES GRAÇA:
e a ALAGAMARES, associação com Memória não esquece os que contribuíram com o seu talento para o universo cultural nacional.
Conjuntamente com o Grupo Coral de Queluz, dia 21 de Maio pelas 17h, estaremos a evocá-lo em concerto na Sociedade União Mucifalense, no Mucifal, Colares.
Mais informações em: http://www.alagamares.net
WORKSHOP DE TEATRO:
Em 1863 nasceu na Rússia um homem chamado Constantin Stanislawski, que dedicou toda a sua vida à construção de um método que ajudasse os actores e encenadores a combater esta problemática.
Este método foi evoluindo e abordado, por encenadores e actores, sob diferentes perspectivas.
Bibi Perestrelo trabalhou com diferentes mestres deste método:
com Sonia Moore – aluna de Stanislavski – estudou um ano em Nova Iorque;
com Polina Klimovitskaya – que aborda o método segundo Checov – estudou um ano e foi actriz na sua encenação de “As Três Irmãs”, apresentada no CCB;
com Marcia Haufrecht – o método segundo Lee Strasberg do Actor’s Studio – realizou seis estágios entre 1996 e 2001.
Este workshop resulta dos conhecimentos adquiridos por Bibi Perestrelo com estes e outros professores e da aplicação que deles foi fazendo enquanto actriz e encenadora.
Mais informações no renovado site dos Utopia teatro: www.utopiateatro.com
CONFERÊNCIA:
Conferência e DebateDia 22 de Maio pelas 18h30
Conferencistas: João Aguiar, Ricardo Ventura e Rui Freitas
«No século IV da nossa era, a cidade de Braga foi dominada por uma heresia. O Priscilianismo, doutrina a que foi atribuída uma filiação gnóstica, talvez de origem egípcia, conquistou a província romana da Galécia - de que Braga era a capital -, avançou pela Lusitânia, estendeu-se à Bética, e atingiu a Gália.
Prisciliano, o chefe espiritual do movimento, teve de enfrentar uma viva oposição por parte da hierarquia eclesiástica e do poder temporal. No entanto a sua doutrina sobreviveu durante cerca de duzentos anos, pois resistiu à queda do império, às invasões bárbaras e ao estabelecimento do reino suevo».
In contracapa da obra O Trono do Altíssimo , de João Aguiar~
O Priscilianismo foi uma corrente cristã gnóstica? Uma heterodoxia que não venceu?
Uma forma de cristianismo primitivo? Porque teve uma adesão tão forte, por parte das populações da Galécia e da Lusitânia? Em que consistia a sua doutrina e que traços deixou na génese da nossa nacionalidade e naquilo que somos nos dias de hoje?
Estas são algumas das questões que serão debatidas neste colóquio, organizado pela Fundação Rosacruz em colaboração com o Museu Biblioteca República e Resistência, que conta com a presença do escritor João Aguiar, autor de " O Trono do Altíssimo" e Ricardo Ventura, tradutor dos Tratados, de Prisciliano e Rui Freitas, investigador.
Biblioteca Museu Républica e Resistência Espaço Cidade Universitária
Rua Alberto de Sousa, 10-A, à Zona B do Rego Tel: 217 802 760
Fax: 217 802 788
e-mail: bib.republica@cm-lisboa.pt www.cm-lisboa.pt/cultura/DBD/brepublica <http://www.cm-lisboa.pt/cultura/DBD/brepublica>
segunda-feira, maio 15, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:
Será uma sessão de leitura livre onde cada um terá a oportunidade de levar, declamar e partilhar poemas e outros textos.
A poesia está na rua! Não pisar!
sexta-feira, maio 05, 2006
CURSO:
Curso Livre pelo Dr. Miguel Real
6 MAIO · 24 JUNHO 2006 Sábados 10h30 · 12h30
O LABIRINTO DA RAZÃO E A FOME DE DEUS
De Pedro Amorim Viana e Teófilo Braga, no século XIX, a Paulo
Borges e Viriato Soromenho-Marques, já no século XXI, intenta-se
levantar as estrutura configurativa do pensamento português contemporâneo,
dividindo-o em quatro grandes vertentes culturais:
o Racionalismo (de Júlio de Matos a Fernando Gil),
o Espiritualismo (de Domingos Tarroso a António Brás Teixeira e Carlos H. do C.
Silva),
o Providencialismo (de Sampaio Bruno a António Quadros e Dalila Pereira da Costa)
o Modernismo (da “Questão do Bom Senso e do Bom Gosto”, em 1865, e das “Conferências do Casino”, em 1871, à integração de Portugal na Comunidade europeia, em 1986).
CONDIÇÕES DE PARTICIPAÇÃO:
Palácio da Quinta da Regaleira, Sala da Renascença.
Datas e Horários De 6 de Maio a 24
Custo: Curso completo € 100. Inclui entrega de diploma de participação e uma visita guiada à Quinta da Regaleira
Sessões individuais € 17/sessão.
Descontos:20% Estudantes, Passaporte
Regaleira e adultos com mais de 65
anos.
quinta-feira, maio 04, 2006
SESSÃO DE DIA 03/05/06:
De seguida fica uma transcrição de um texto da autoria de Filomena Oliveira e de Luís Martins, que analisa alguns dos romances de Sérgio Luís de Carvalho.
Analisando os três romances de Sérgio L. Carvalho (“Anno Domini”; “As Horas de Monsaraz” e “El-Rei Pastor”) como um todo, não podemos deixar de evidenciar três vertentes ideológicas e duas invariantes estruturais que caracterizam e singularizam a obra deste autor no panorama geral da literatura portuguesa actual:
1- O novo romance histórico não é estruturado segundo teses ou mensagens a transmitir ao leitor como verdades. Não se trata de evidenciar ficcionalmente uma lei histórica, de anunciar uma verdade, de contradizer uma argumentação, como o romance histórico do Romantismo, o drama histórico do realismo e naturalismo ou o romance histórico nacionalista; trata-se, somente, de escrever um romance, ou seja, um livro de ficção que pela ficção se resta. Em “El-Rei Pastor”, conclui-se que todos os grupos, todos os indivíduos históricos têm alguma razão e ninguém tem a razão total, nem as instituições oficiais, mais defensoras dos privilégios da Igreja dos cónegos e da hierarquia do poder, nem a seita do “Pastor”, que nasce como uma reacção do desagrado contra aquela, nem o próprio “Historiador”, cuja verdade depende da consulta das fontes, as quais, por sua vez dependem do processo de exclusão de outras fontes, quando não depende do processo de legitimação das próprias fontes como se constata em "El-Rei Pastor”.
2- Outra das marcas singulares da obra de Sérgio Luís de Carvalho nos seus romances é a da total ausência de leis históricas absolutas. Diferentemente, constatamos a existência de leis contingentes que favorecem ou inclinam a acção individual e colectiva num ou noutro sentido (o “tempo dos mercadores” em “As Horas de Monsaraz” por exemplo), mas nunca a existência de um sistema de leis que determinasse de um modo total o sentido da História.
3- Finalmente, sem o conforto de uma explicação providencialista ou sistemática da História e sem o conforto mental de adopção de leis necessárias, o resultado ficcional só pode ser de cepticismo e de pessimismo.
Gostaríamos, igualmente de sublinhar, como invariantes da obra de Sérgio Luís de Carvalho, seja o seu gosto pelos ambientes e história centrados na Idade Média, mas sem a carga de nacionalismo romântico dos autores do século XIX, seja a sua capacidade de dramatização do conceito milenário de “fim dos tempos”, que surgiram no seu primeiro romance, que enforma as personagens e a acção de “As Horas de Monsaraz” e que permanece em “El-Rei Pastor”, principalmente nos escritos do “Pastor”.
TEATRO:
Dias 5, 6, 12, 13 e 19 de Maio na Escola Secundária de Mem Martins (Pavilhão 8).
Entrada Gratutita
Todas as informações em http://nunolacerda.com.sapo.pt/absurdo/AbI2006.html
http://nunolacerda.com.sapo.pt/absurdo/AbI2006.html>
segunda-feira, maio 01, 2006
PRÓXIMA SESSÃO:
Já escreveu vários livros dos quais destacamos: “História de Sintra”; “Sintra: As pedras e o Tempo” (escrito em parceria com João Rodil outro autor que já esteve presente nas nossas sessões).
É activista da Amnistia Internacional, Director do Museu do Pão em Seia e professor de História e História de Arte na escola secundária de Mem-Martins!


